Sobre massa de cabeça-tronco-e-rodas, massa sovada e massa cheirosa

Dados extra-oficiais relatam que o número de veículos na capital paulista (fora a Grande São Paulo) chega a 7.000.000. Isto mesmo, sete milhões! Então, vamos fazer uma conta simples: se cada um ocupa 5 metros, todos de uma vez só na rua ocuparíam 35 milhões de metros ou 35 mil quilômetros de pistas.

Fale quem souber quantos quilômetros somam todas as ruas da capital. Eu não sei. Sei que a capital tem 1500 km quadrados  e 91 mil ruas e avenidas e, que, pelos números de hoje, seriam  77 carros por rua.   Na sexta, véspera de  carnaval, a cidade chegou ao horror de 500 km de congestionamento – que pelas contas tortas que faço seria formado por apenas 100 mil veículos (ou se considerarmos duas pistas congestionadas: 200 mil veículos parados ao longo da extensão medida).

Não é preciso ser um Einstein para prever que se um dia todos os carros saírem juntos, estaremos condenados a um engarrafamento eterno. Diante deste problema como reage o establisment municipal? Com helicópteros! São Paulo tem 500 helicópteros,  segunda maior frota do mundo.

O modelo e os motivos que nos trouxeram até tal situação são exaustivamente conhecidos (indústria automobilística em detrimento da ferrovia, o aquecimento da indústria, o crédito fácil, a falta de transporte coletivo, etc). O que é incrivelmente desprezado é a solução para este problema. (Veja que para simplificar a equação, não estão considerados os veículos e caminhões que vem de fora da cidade.  Pois é evidente que a solução tem que ser metropolitana!).

O fato é que,  eu não vejo, entre todos os janotas paulistanos, eleitos ou de plantão, nenhum credenciado para resolver a questão, para propor alternativas ao  modelo vigente. Pior ainda, não vejo uma agenda pública sobre a questão ou  a convocação de uma massa crítica de especialistas debruçada num projeto  para São Paulo daqui a 50 anos. Vejo só perfumarias como ciclovias de fim de semana ou novas pistas  na congestionada marginal.

Nós, a massa de cabeça-tronco-e-rodas, ficamos presos ao crediário dos veículos e motos para escapar do péssimo transporte coletivo de massa (amassada, esmagada, surrada, sovada) e, daqui debaixo, ficamos todos juntos parados no trânsito observando os sobrevôos dos helicópteros da “massa cheirosa”.

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