Estado e Altermentes

Por dmolir

Qualquer substância que altere sentidos ou sensações poderá ser tomada no ambiente privado sem que o Estado saiba ou tome qualquer providência. Tais substâncias se originam da natureza, da indústria farmacêutica ou química. Com receita médica qualquer um pode provocar euforia psicotrópica sem ser dispersado em praça pública (como aqueles que o foram por querer abrir a discussão sobre a busca da alteração da mente, via THC).

Difícil é justificar porque as alterações mentais provocadas pelas doses de whisky são difundidas via propaganda em contracapas de revistas, rádios, canais de TV sem nenhum aborrecimento e vira um negócio chamado win-win, no qual todo mundo ganha, menos o sistema de saúde.

Os alcoólatras pagam o preço da adição num prazer que não conseguem mais controlar. Começa com um abuso e vira uma dependência.  O fato é que isso ocorre com qualquer substância. Conheci uma pessoa que prejudicou o figado por causa de abuso em Dipirona Sódica, mais conhecida como Novalgina. O abuso é a mudança da rotina em função do uso e a dependência é a mais completa entrega à substância – não importando mais nenhum valor. Este é o maior preço pago pelo adicto.

Agora, você já conheceu, com certeza, usuários da THC. Mas conheceu algum dependente de THC? Deverão existir, certamente.  No entanto, é historicamente improvável que usuários de THC fiquem como zumbis numa maconholândia, no centro de São Paulo.

O THC é a porta de entrada de outras substâncias? A Escola Paulista de Medicina curou usuários de crack com THC. E se fosse a porta de entrada, o que seria então a dose de whisky? Portal Universal?

Abuso é o risco que se corre com qualquer coisa: trabalho, sexo, jogo, remédios, comida, tabaco, álcool, café, açucar,  meditação. Qualquer coisa que vire compulsão pode resultar num abusuário.  Morre mais gente no comércio ilegal, no tráfico, do que no uso de drogas. O Estado deveria providenciar a catalogação, habilitação dos usuários, incorporá-los preventivamente ao sistema de saúde antes do abuso e da dependência. Controlar a comercialização, como faz com as perigosas substâncias tarja preta que trata/deixa a pessoa “pinel”, “lelé da Cuca” e esvaziar a receita do tráfico e  da corrupção policial.

Acho hipócrita a decisão da justiça de não permitir demonstrações públicas em defesa da discussão de uma idéia. Status quo, tabu, medo e interesses menos honrosos impedem a democracia – pelos instrumentos do estado de direito – da assunção de uma realidade explícita nos costumes da vida privada. Sobre o episódio, em si,  o ministério público compriu o papel de “seguro do sistema” e o governador acatou. Os políticos deveríam assumir posições públicas. O problema é que, via congresso, ninguém quer se ver associado a atos que poderiam ofender-lhes o falso moralismo de campanha eleitoral.  E o poder.. ah, esse sim, é uma droga muito pesada.

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