Travessia

Estamos indo para o mesmo lugar. Muitos param para coletar a moeda do barqueiro, outros querem evitar o inferno. Qual inferno? Depende do pacto, de qual finalidade traçou para si mesmo. Ser o que se é e se quer ser, em sua plenitude, implica em aceitar os limites da indulgência. A que nos é caro tolerar: Não! Neotorquemadas, Não!

Nos dias que correm, a palavra ética é expelida por muitos como autos-de-fé em procissão direto ao cadafalso. Quem vamos imolar, hoje? Homens da Veja suplantaram o periclitante jornalismo-emboscada pelo despótico jornalismo-invasão: tudo em nome da ética (sic), assim como torquemadas fizeram em nome de Cristo. Em nome do justo, se comete as maiores injustiças. A vingança vira justiça e o correto torna-se o torto. Se se admitisse a disputa pelo poder e riqueza com a mesma franqueza ética que se assume ter, revelariam-se os cadáveres de Bórgia que cada consciência carrega dentro de si. Não sem o full disclosure provocar, ao cabo do tempo, o colapso da imagem que se admitiu possuir e em nome dela se perpetrou todos os absurdos, “eticamente justificáveis”.
O método Veja ou Murdoch representa o fim do jornalismo-testemunho, pelo qual se tem orgulho participar. Talvez por isso, alguns jornalistas prefiram a correspondência-de-guerra. Aonde a casualidade faz suas escolhas e a emergência orienta as próprias, sem tempo para truques ou idiossincrasias, quando o tempo corre mais rápido em vários aspectos: Os dez dias que abalaram o Mundo! John Reed marca meu ponto-de-vista. Cumpriu seu papel social e ficou registrado na história pelo testemunho que narrou. Uma imprensa que não invade cômodos, “marca hora e local do duelo”, além de dar primazia da chance de defesa, morreu.
Não é só imoral para a humanidade, antiético para a sociedade, ilegal para o Estado de Direito, constrangedor para os jornalistas, como é também uma estupidez, o emprego de recursos numa disputa que é atribuição dos partidos políticos. A menos que seja mesmo a Abril agente de grupos que disputam o poder e dispõem de políticos que ora estão alijados de Brasília. Não sou religioso, não acredito no julgamento final: creio que o julgamento é diário pelo que você gera no ambiente no qual se insere e provoca reação. Neste caso, reajo como parte da Umwelt desta Semiosfera: Não Torquemadas, Não! Não me importa o pacto que fizestes para coletar a moeda do barqueiro. Não façam da sua vida, nosso inferno.

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