A mídia descontrolada precisa é de credibilidade

Vou enfiar minha colher neste angu de caroço: o controle da mídia.  Decerto que no auge do atual processo civilizatório em que tudo, absolutamente tudo, tem controle e regras, não dá para imaginar a comunicação jornalística e publicitária sem regulação (que, a propósito, já vige em parte na Constituição e nos Códigos Civil e Criminal).

A liberdade de expressão, como esta que exerço agora,  não pode ficar ameaçada ou encilhada a prerrequisitos de qualquer ordem: o que não me dá o direito de difamar, caluniar ou injuriar quem quer que seja, nem mesmo de promover como bom, útil ou agradável produto que reconhecidamente faz mal a saúde, como cigarro ou bebida.

O que se insurge contra a democracia e o estado de direito, hoje, não é o movimento que pede monitoração social da mídia, mas sim o órgão de imprensa que usa o espaço do canal de comunicação que possui como forma de manipulação político-partidária:  não apenas pelas notícias enviesadas que publica, mas principalmente, pelas informações que omite, dando a pesos iguais, medidas diferentes.

A questão é que a imparcialidade do jornalismo é um mito tão intangível quanto o da incorrupção humana.  O jornalismo tem lado. O leitor ou telespectador não seria aviltado em seu direito à informação se o órgão de imprensa revelasse para qual interesse se presta.  A própria escolha da pauta, o recorte que se faz da realidade, estruturado e hierarquizado em súmulas de dez ou doze manchetes, já é comprovação de parcialidade.

Essa é uma característica da natureza do jornalismo, não há na democracia controle possível de sucesso nesta questão. Mas a transparência completa dos objetivos (comerciais e ideológicos) do órgão de imprensa resultaria na verificação da sua  isenção – esta sim, tem que ser  indelével!  Pois, na missão de reportar sobre determinado assunto – escolhido de véspera  de acordo com a linha editorial e objetivos comerciais – não se pode deixar de lado a isenção, a dignidade de ouvir o contraditório e todos os lados da questão. Dai se depreenderia o verdadeiro controle social: o do leitor ou telespectador consumir, ou não, por decisão própria, determinado veículo de comunicação ao considerar se as notícias são fidedignas não só diante do fato gerador, mas também em relação à interpretação contextualizada por um dado recorte ideológico, que deve ser, repito,  assumidamente claro e expresso pelo órgão de imprensa.

Isto faria com que se pudesse dar nota objetiva à isenção dos noticiários. Por isso, proponho que se considere a formação de uma AGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO DE NOTÍCIAS (e é melhor que seja uma ONG).

A partir de conferências formadas pelos interessados convencionariam-se quesitos que dariam valoração às principais matérias, por exemplo:  a reportagem que possui contraditório, recebe, sei lá,  330 pontos; a que tem  fontes em “on”, 110 pontos por cada fonte. Agora, para reportagem que não ouviu ninguém, 5 pontos; a que não tem contraditório, dois pontos. Estes são apenas dois exemplos iluminados numa fileira de dezenas ou até centenas de quesitos que podem ser estabelecidos. No final se rodaria a pontuação num excel qualquer  e teríamos o número mágico da isenção e fidedignidade, do mesmo modo que as agências de classificação econômica fazem com os títulos, governos e empresas.  A partir dai, teríamos um ranking (ou rating) menos subjetivo para classificar o “bom e o mau jornalismo” em relação à qualidade e isenção do trabalho.

Com tal instrumento se recuperaria a credibilidade dos órgãos de imprensa em meio a esta torrente de fontes  de informação que a Era Digital proveu.  E, então, saberíamos o que é crível, ou não, como canal de notícias. A Veja, por exemplo, iria rapidamente para a lata de lixo. Finalmente, para que controlar algo que per se se pode desacreditar?


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