Por quem os tiros zunem

Etnograficamente, em vastíssimas sociedades, homem e suas obras formam, ao passar dos anos, gigantes grupos culturais que ao mesmo tempo em que se integram, ao superar diferenças, se miscigenam. Por mais que se faça guerra em nome de alguma coisa, toda guerra é em nome de si próprio: desse que se pretende melhor que o outro. Nesta trilha cabem todas as idéias e desavenças do mundo.  A mais clássica delas, meu Deus é melhor que o seu, arrebenta prédios e explode bombas. A hegemonia que se quer estabelecer, por quaisquer motivos, seja no oriente médio ou na periferia paulistana é fruto, no fundo, de uma história peculiar, mitológica, ao mesmo tempo pretensamente íntegra nas idéias e concretamente indefensável nas ações, que esconde contradições internas e ilude seus atores. Toda história glorifica e aterroriza. Os vencedores desenham territórios e apagam os derrotados, mas no final continuamos sendo uma só humanidade cheia de idiossincrasias numa disputa sem fim.

Podá-lo é sempre bom, mas não desperdice seu tempo cultivando o ódio.

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