Ei, milicos! Deixem a nova geração em paz.

Eu já tive o orgulho de ter sido vaiado por mil diretoras de escolas, em Presidente Prudente, SP,  reunidas num ginásio esportivo fechado (o que fez ecoar as vaias ainda mais, para meu constrangimento).  Elas sabiam porque eu estava lá. Defendia o projeto de lei que sepultava o famigerado Centro Cívico Escolar – os CCE’s. Associações estudantis que sofriam a intervenção da direção da escola. Com a aprovação do projeto dos Grêmios Livres, de autoria de Aldo Arantes, deputado federal por Goias,  nós passaríamos a nos reunir livres da presença daquelas senhoras, resquícios da Tradição Família e Propriedade. As vaias não me intimidaram, pois eu sabia que estava certo. Meses após a aprovação, estávamos organizando showmícios pelas diretas, Brasil afora. A independência nos deu a liberdade para agir.  Uma geração depois, vieram os cara-pintada. Agora são os do Movimento Passe Livre. Se articulam na internet e dão carona para a extrema esquerda e a extrema direita, que se infiltram nas passeatas. As tradicionais representações partidárias de direita,  centro e a vigente socialdemocracia, não se fizeram representar neste movimento de massas que tende a crescer exponencialmente.

O vigor com o qual enquadram as atuais representações políticas, condenam a viciada ação da Polícia Militar e, principalmente, contra-atacam a velha mídia convencional revela que chegaram para ferir a ordem (de violência, imobilidade, pusilanimidade e de corrupção) que Alckmin quer defender a bomba de gás e tiros de borracha.

Filho, amigos de meu filho e filhos de amigos e amigos estão em paz nestes movimentos. Eles não ameaçam nada, nem ninguém. Querem demonstrar que estão insatisfeitos com a ordem – repito – que o Alckmin quer defender a bomba de gás e tiros de borracha.

Está aí, senhores, a propalada Classe C, nascida dos progressos sociais do governo petista. Ela defende a natureza, os índios, mas é urbana. A comunicação em rede é sua característica mais marcante. Uma garota Paula Landucci foi precisa em  vídeo no YouTube: “se quiser saber o que acontece, realmente, nas manifestações, desliga a TV e vem para a Internet”. Chegou a nossa vez de ver as grandes metrópoles brasileiras se mobilizarem.

O que as autoridades fizerem agora vai condicionar não apenas o futuro deste movimento, mas a proporção que ele deverá tomar. Neste jogo, Alckmin recuou duas casas. Haddad ainda tem sua chance.  O Passe Livre é uma utopia? E daí? É proibido sonhar? Custa R$ 6 bi? Então dê conhecimento a estes jovens. Ou melhor, chame-os para apresentar propostas. Faça-os participarem de um concurso para solucionar o apagão de mobilidade de uma metrópole de  20 milhões de pessoas e 10 milhões de veículos. Acredito que surgirão boas ideias, melhores do que quaisquer burocratas poderiam prover. Eu mesmo tenho a minha utopia: gostaria que  as principais avenidas do centro  de São Paulo cedessem espaço para trens de superfície – bondes modernos, que ligassem mega estacionamentos (abrigados em centros de compra).  Switch off para carros na área de rodízio. Mas esta é minha utopia, que também não custaria barato.

Bem vindos à política como ela é  fora dos gabinetes. Aproveitem que agora está fácil. Os trabalhadores organizados estão ainda fora deste movimento. Imagino como ficaria se os sindicatos e as Centrais engrossassem as passeatas. Mas eles estão maduros. Não vaiariam a presidente Dilma Roussef, pois acreditam no rumo tomado. Diferentemente dos rentistas do capital – que agora para auferir lucros são obrigados a mexer os traseiros e colocar o dinheiro para suar, empregar pessoas e produzir. Estes pagam R$ 800 reais, o ingresso, para vaiar a anfitriã dos torneios internacionais. A Internet também trouxe os anti Copa do Mundo. Eu não concordo com este  recalque que condena as manifestações culturais, esportivas em nome de uma suposta economia. É como proibir o carnaval ou sua filha de ir ao um show para não gastar dinheiro.  Mas enfim, Viva a Democracia.   Deixe a minoria torcer pela derrota, que a gente torce pela vitória. Mas não agridam nossos jovens. as futuras lideranças políticas.

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