A hora das reformas

Os meninos do Movimento Passe Livre defendem subsídio integral das passagens. Portanto, não podem estar alinhados com os pensamentos da economia política liberal ou neoliberal, de direita. Formam uma frente política para que nenhuma organização exerça hegemonia sobre o movimento, a ponto de descredenciá-lo do debate isento.

Dei risada ao observar que os jornalistas do programa  Roda-Viva não estavam equipados para entender este movimento. Queriam que os garotos se identificassem contra o governo federal ou a favor do PT, mas não conseguiram. Os meninos seguiram firmes com a mesma coragem que tiveram para enfrentar a truculência policial e mudar a agenda política.

A brecha aberta pelos garotos trouxe para as ruas uma miríade de frustrações que não encontrava espaço para manifestações públicas.  Organizados –  não da maneira orgânica tradicional – mas virtualmente, grupos de amigos ou de conhecidos do Facebook agregados em “células virtuais” foram às ruas para exercer protestos “presenciais”. Cada grupo levou seu pleito. Entramos na Era – para usar um maneirismo americanizado – da “Personal Demonstration” (Ah, se o Bussunda estivesse vivo iria nos divertir com a Organização Tabajara…)

É claro que agora, com a porta arrombada, aparecem inúmeros comentaristas, articulistas, colunistas e especialistas torturando os fatos para corroborar a ideologia-mestre dos seus patrões e clientes que essencialmente quer acantonar o Governo Dilma e abrir espaço à volta dos amantes dos juros altos ao poder central.  Aqueles que se dizem apolíticos e apartidários – ao condenar os partidos políticos  e a política – estão fazendo a política mais rasteira que existe, porque enquanto tentam acuar os  políticos tradicionais, preparam sua própria organização política com nomes bem sugestivos como, por exemplo,  Unidos Por um País Melhor ou Dia do Basta –  que lembram os antigos movimentos golpistas e nacionalistas. 

De todo modo, é forçoso reconhecer que o clamor das ruas guarda o sintoma de que a Democracia Representativa – como se dá hoje – não dá conta de acolher os anseios populares.  Estamos longe do exercício da Democracia Direta. Mas é claro que a Reforma Política é fundamental, neste momento, não só para garantir os avanços democráticos, mas para ampliar a participação popular. 

É evidente que os políticos, sem lastro na sociedade, associados ao Partido da Imprensa Golpista, querem por o pé no estribo do bonde da história, que está passando, e agir de modo a restringir os avanços democráticos.  Do mesmo modo, aproveitam a fadiga da modelo socialdemocrático para pregar mudanças com uma política econômica liberal.  

Agora, portanto, não há outro caminho a não ser o de aprofundar as conquistas. É  hora daqueles que tem representação social, base política, saírem do gabinete e irem disputar no espaço público os avanços que a sociedade brasileira precisa. As organizações sociais, as entidade estudantis, as entidades de classes, as centrais sindicais, as associações de moradores precisam resgatar a agenda que pode realmente transformar o Brasil: as reformas Política, Tributária e Administrativa.  É preciso levar a consciência política  para as ruas. 

Um comentário em “A hora das reformas

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  1. Rapaz, você demorou para escrever hein? Ou pelo menos não anda divulgando seus textos. Ótima análise, precisa fazer isso com mais frequência. O blog já tá nos favoritos…

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