Matem Narciso

Há uma epidemia de narcisismo no ar. O espectro da falta de empatia ronda o mundo e o Brasil em especial. Alguém ainda vai comprovar  se a comunicação eletrônica e as redes sociais ajudam a disseminar a frieza da impessoalidade, mas o fato é que as ferramentas que deveriam ajudar a nos conhecermos mutualmente, como humanos, expõem nosso lado mais cru e sombrio.

Não se resumem mais aqueles casos de periferia das grandes cidades, promovidos por desequilibrados econômica e socialmente – que apelam para a violência de forma banal. Agora, são casos articulados, embevecidos numa vaidade cega e legitimados numa ignorância acachapante que produzem mortes e tragédias, inclusive, entre familiares.

Em Novembro, em Goiânia, o pai matou o filho que participava de uma ocupação estudantil. A “lição de moral”  foi assassinar o próprio filho para que ele aprendesse a respeitar a opinião paterna.  Ainda bem que o filho não seguiu o caminho de ódio do pai. Anteriormente, tivemos aquele caso do estupro coletivo do Rio de Janeiro que entre 30 homens, nenhum teve a coragem de admitir que todos estavam cometendo uma violência contra uma mulher.

Numa estação de metrô espancam até a morte um ambulante que deu a sua vida para defender um gay. E, agora, em Campinas, um pai frustrado com a separação escreve pérolas do pensamento contra os direitos humanos para cometer um múltiplo homicídio. Tirando a vida das pessoas em nome das quais resolveu matar, incluíndo o próprio filho.

O que há em comum nesses casos é que nenhum dos algozes teve a capacidade de se colocar no lugar da vítima. Não há empatia. As pessoas seguem como hipnotizadas pelos desejos e frustrações do ego e não se perguntam: e se eu estivesse no lugar do meu filho? Será que  ficaria feliz ou satisfeito com o pai que matasse a mãe?

É preciso que filósofos, historiadores, cientistas sociais e comunicadores parem de falar atrocidades e se inscrevam do lado humano, dos direitos humanos.  Ponham freio em seus fetiches sádicos e ajudem a recuperar o respeito mútuo pela divergência de ideias e pela liberdade de expressão. Se querem uma vítima, afoguem Narciso: esse Ego inflado pelo conjunto de percepções rasteiras e covardes que estão sendo disseminadas pelas emissoras de TV’s e Rádios, com repercussão impessoal pelas redes sociais.

Fortaleza é compaixão. Essa é a superação para seguir em frente.

 

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