UM ANO DEPOIS DE PUBLICADO, O ARTIGO QUE VEM A SEGUIR, ESTÁ VIVO COMO BRASA Ganham tempo, esgotam nossa paciência e querem nos tirar o exercício da Teoria da Conspiração: deixem-nos ligar os pontos em paz!

Desculpem a franqueza, mas nunca tinha ouvido falar antes do empresário Carlos Alberto Filgueiras e o único Emiliano que experimentei foi um  Sauvignon Blanc de segunda linha do Chile.  Me preocupa a possibilidade de sabotagem e conspiração que todos os pilantras apinhados no poder pagariam e muito para patrocinar. Mas o que, realmente, me choca é a morte da jovem massagista Maíra Panas e de sua mãe, Maria Hilda Panas.  A mãe viajara como seguro da filha, mas os sonhos e promessas que atraíram aquela jovem a embarcar com aqueles velhos poderosos nunca os conheceremos, morreram com ela, no último instante, quando os pescadores a viram batendo no vidro do avião que afundava no mar.  Os ricos são assim, não se importam com os pobres.

Já Teori Zavaski  era um predestinado a participar da Teoria da Conspiração. Ele tinha dezenas, centenas de nomes de executivos, deputados, senadores, juízes que hoje ocupam cargos capitais na República. Teori soube da máfia. Tratamos os ricos e poderosos com uma polidez que não lhes é merecida, quando subornam, intimidam e mandam “fazer o serviço” ou  “estancar a sangria”. Teori viu o livro contábil – ou melhor – estava atualizando sua nova edição, quando algo lhe convenceu a ir num dia chuvoso, fazer uma visita a um provável empreendimento hoteleiro em Angra, na companhia de seu amigo, um piloto experiente, da mãe Maria e do sorriso largo de Maíra.  A vaidade lhe convenceu. Os poderosos são assim, vaidosos. Mas qual foi a isca fatal? Interesse pecuniário? Descanso, apenas? Talvez nunca saibamos os reais motivos que o levaram a fazer esse passeio final.

Agora vamos ter que conviver com mais essa teoria. Não bastassem todas aquelas mortes oportunas e sem respostas definitivas, como a de JK, João Goulart, Castelo Branco, PC Farias e tantas outras, agora vamos acompanhar a construção de uma investigação que nunca será crível. Afinal, Elvis não morreu. Ninguém vai domar o imaginário popular. O povo acende o fogo que quiser a quem quiser. Basta ligar os pontos. E pontas soltas são o que não faltam nos dias de hoje. Por isso, me espanto, quando vejo colunistas do Estadão e da Folha pondo reparo nas Teorias Conspiratórias que vicejam nas redes sociais. Me espanto, porque são os jornalistas que são pagos para formular teorias sobre o fato. A polícia vai buscar materialidade. Os técnicos, evidências específicas. Mas são os jornalistas que vão ligar a motivação ao evento. Pode ter sido? Pode! Então não amolem os teóricos da conspiração.  Busquem vocês suas fontes. O mesmo se aplica aqueles que analisam assim: isso exige uma investigação rápida. Não, não tem que ser uma resposta boçal à sociedade. Tem que ser uma investigação transparente e coordenada. Como a Polícia Federal de Temer chega antes ao Hangar para pegar os vídeos de onde partiu a aeronave e a Aeronáutica, depois?  E tem gente que ainda acha que o culpado de tudo é o Lula.  Mas a pedra de toque da cobertura jornalística não veio da página policial ou da seção política, o monstrengo (ou cagalhão – como diriam o das antigas) foi parido pelo noticiário financeiro. Na Globo News – desculpem, mas sou obrigado a citar o nome – a analista financeira, Thaís Heredia,  em sua busca por explicações razoáveis aos números do mercado, jogou seus búzios para dizer que o mercado reagiu “positivamente” à morte de Teori, pois, as folhas de chá, lhe apontaram que agora o governo Temer terá mais tempo para arrumar a ‘bagunça’ econômica.  Por outros motivos, o ministro Padilha também disse que a “morte de Teori vai fazer com que a gente tenha mais tempo”. A gente quem, Padilha? Tempo pra quê? Como se vê são apenas negócios, diria Dom Corleone. 

Agora que o homem com o livro contábil recebeu seu peixe enrolado no jornal e sofreu seu acidente, a nação, o mercado, o Temer, ganharam tempo.  Menos Teori, afinal toda conspiração precisa de um morto, de um bode expiatório, de um boi de piranha, de um cordeiro de Deus ou de qualquer outro nome que se queira dar.

Fim pior foi o da sorridente Maíra. 

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