O BALCÃO DE POLÍTICOS E AS PROSTITUTAS

afdólar

Respeito as prostitutas. Sem entrar no mérito do que as levaram a vender seu próprio corpo, têm o drama de não poder escolher com quem se deitam e o dever, pela ética da casa e dos negócios,  de fingir deleite com qualquer um que as possa pagar: seja um dândi tímido da nata do empresariado, um playboy filho de deputado, um senador cocainômano ou o mais tonel dos abdomens e das grandes nádegas do congresso nacional.

Mas não posso respeitar os políticos que fazem do cargo público um pole dance e do governo um inferninho em que exibem o que pode ser cedido aos empresários por módicos milhões.  O que fornecem em benefício próprio desencadeia um jeito de fazer política e negócios que traz aos demais a sensação de otários por não participarem dessa orgia ou de cumplicidade por darem uma de Poliana, enquanto recebem migalhas de bico calado em empregos estáveis.  Essa corte é apenas do lado de dentro do balcão. Na outra ponta estão os empresários ávidos por encontrar nessa casa de Tia Olga um fornecedor barato de “vantagens competitivas e de alta taxa interna de retorno” – a esses o meu mais alto desprezo. Como já disse, respeito mais as prostitutas.

Nessa imensa montanha de corrupção, vimos pelos alcaguetes da Petrobrás, Odebrecht, OAS,  JBS e Friboi a face sombria apenas de petrolíferas, empreiteiras e frigoríficos. Aguardamos com ansiedade a revelação de quais danças da boquinha da garrafa foram feitas para atender aos bancos, seguradoras, planos de saúde, setor elétrico e de comunicação. O modus operandi é o mesmo em todos os setores.

O dinheiro compra os mais altos postos do Estado brasileiro. Quem se habilita a participar da vida pública é manietado a esse sistema. Recebe dinheiro de gerações, paga campanhas de marketing caríssimas para iludir o povo de que é um político diferente e uma vez eleito, passa a atender os empresários em seu balcão de pole dance.  Em meio a disputas políticas legítimas, os expoentes da vida nacional sempre estiveram diante do dilema de participar do jogo com as “armas” que estavam dispostas ou abrir mão das conquistas e sair fora da vida pública (ou da via institucional).  Não se encarou essa montanha de maus-caracteres pelo falta de envergadura política, coragem, amplitude, adesão? Talvez nunca saibamos o que torna omisso o político que tenta enfrentar esse moinho. Decerto o canto da sereia do poder e dinheiro é inebriante e uma vez provado dessa fonte, pouca gente consegue sua independência.

A Operação Lava Jato não é uma panaceia, enquanto foi usada seletivamente, os gogo boys da política ainda recebiam seu quinhão dos empresários patrocinadores do esquema.  É quase como enxugar gelo.  A ilusão de que a corrupção é exclusivamente dos políticos e de partidos atrapalha a constituição do país em bases transparentes com a participação e fiscalização dos cidadãos.  Enquando se constata que um ficou com a propina de R$ 50 milhões – a Polianada fica chocada com o valor – se esquece de que se trata apenas de 1% do valor do negócio comprado: R$ 50 bi. Ou seja, o “investimento” do empresário nesse balcão possibilitou um negócio de R$ 50 bilhões. É essa a soma de recursos que empobrece a nação.  Quantia pela qual “se mata, antes da delação”.

Agora, nesse instante, no qual gravaram o ocupante do mais alto posto da República anuindo às mais impróprias e indevidas considerações de corrupção de um empresário e veicularam a gravação, muita gente se pergunta por quê? E a resposta está em gota a gota nos comentários dos escribas a soldo do mercado (respeito mais as prostitutas): eleição indireta de Meirelles.  Ou seja, o mercado já vendeu Temer.  As emissoras e jornais – que são os órgãos oficiais do mercado – estão em campo para transformar essa estratégia em realidade.

Mais uma afronta ao poder soberano do Povo. E mais uma vez se esquecem que nada que sair desse congresso terá legitimidade para acomodar os interesses políticos de toda a sociedade. Ou seja, irresponsavelmente, brincam com a segurança institucional. Não há solução fora das eleições gerais diretas. Os poderosos que sabem  – de ouvido das histórias de enriquecimento ilícito dos seus pares – têm a ousadia de manipular a vontade popular. Como se isso, em dias de internet, fosse plenamente possível.

A justiça que abra seu olho para também não ser manietada para o ponto de não retorno.

Respeito mais as prostitutas!

 

 

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