O COELHO E O KAMEL

O COELHO E O KAMEL

Marcelo Coelho (não o Paulo) da Folha de São Paulo foi destacado para questionar o alinhamento da Rede Globo com a Procuradoria Geral da República e Operação Lava Jato.

Começa o artigo abusando de um chiste com os adversários de Temer para externar sua própria defesa pelas reformas liberais  – que lhes seriam devidas pelo governo Temer:

            “Por essa os adversários de Michel Temer não contavam. Veio da Rede Globo o noticiário que torna praticamente inviáveis as reformas liberais de seu governo.”

Em seguida, Coelho usa um corolário de postagens no Facebook como evidência de teorias conspiratórias nas quais a Globo resolveu sacar Temer do “Planalto para eleger a ministra Cármen Lúcia, do STF” e que a “Globo trouxe alegrias à esquerda, e promoveu para Lula e Dilma uma vingança com que eles jamais poderiam ter sonhado”.

No ápice do seu raciocínio, Coelho simplifica o tema com a seguinte pérola: “Não acho que seja por fanatismo toda essa má vontade com a Globo. Seria, sobretudo, um hábito mental”, em função da conduta histórica da Globo com as Diretas-Já, em 1984; o caso Proconsult, em que “ocultava a iminente vitória de Leonel Brizola no governo do Rio, também, em 1984 e a edição do debate Collor e Lula.

Dizendo-se contrário a tais teorias conspiratórias, cria a sua própria: “a meu ver, uma irresponsabilidade. [A divulgação da gravação] Seguiu-se, sem avaliação própria, a interpretação dada pelas autoridades, como se não houvesse qualquer dúvida possível.”

A seu ver houve precipitação e mau apuração do profissionais do jornalismo da Globo. Não que esteja errado nesse ponto. Mas surpreende o anseio intelectual do colunista em buscar equilíbrio, isenção e imparcialidade na cobertura da Rede Globo. Dito de outra forma, o mesmo se pode afirmar em relação ao próprio tema que pautou sua coluna na Folha de São Paulo:  o de imputar à TV Globo falta de critérios na cobertura e veiculação de notícias sobre a gravação do diálogo de Temer com o delator e réu Joesley Batista. Por que não pautou falhas da Globo em outras oportunidades que – como citou – foram várias? Por que não telefonou para algum coleguinha da TV Globo para saber o que se passou nos bastidores? Por que inaugurou o artigo com relatos de posts de facebook para abordar um assunto tão sensível e caro? Por que não citou a autodeclaração de Temer que confirmou o encontro com o Joesley na calada da noite?

Porque entre “outras teorias conspiratórias” temos a de que, simplesmente, Coelho escreveu o que lhe foi encomendado pelo jornal: mostrar que o furo da Globo foi precipitado e com isso colocou em risco a votação das reformas liberais.

O autor, infantilmente, sugere até um novo estilo para a Globo de Ali Kamel:  o de acrescentar uma voz divergente entre os articulistas da GloboNews que nas suas palavras são “seis profissionais muito competentes” e que “‘passam a bola”, como eles dizem, uns aos outros, mas o jogo se assemelha a uma cobrança de pênaltis sem goleiro.”

Os leitores bem que mereciam uma imagem metafórica melhor, mas é o que a Folha tem para nos apresentar: uma pobreza de pensamento e raciocínio. Até o leitor do falecido Notícias Populares sabe que  jornalismo imparcial não existe. Pergunte ao Frias e ele lhe dará uma palestra sobre o assunto. Agora, é óbvio que na construção dos assuntos escolhidos há de se buscar isenção, contraditórios, testemunhos, evidências e provas.

Hoje, esse artigo de Coelho é a maior evidência de que a Folha e a Globo se distanciam em suas respectivas e parciais linhas editoriais. Arrisco a dizer que a Folha não quis enfraquecer a agenda das Reformas com notícias que desgastam o combalido Temer e a Globo já está “vendida” em Temer em relação às mesmas Reformas.

O que os jornalistas não querem é confrontar seu emprego com a dura realidade que seus veículos são feitos para o mercado e pelo mercado, especialmente, o financeiro. Então todas as pautas e viéses são no sentido do mercado, de quem paga a conta. Nesse contexto, Coelho tem que capinar muito para escrever sobre as escolhas da Globo. Procure lá no Instituto Millenium – quem sabe melhora sua análise na próxima coluna.

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