Não existe democracia sem instituições que garantam o Estado de Direito.  Mas quando o direito chega a este estado de credibilidade, no qual estamos hoje, não há milagre que nos faça ter respeito por instituições públicas carcomidas pela hipocrisia e dominadas por interesses privados.

A credibilidade da mídia das famiglias brasileiras

O TSE jogou o Brasil para baixo no ranking da respeitabilidade.  Em outras palavras, as instituições podem até rogar-se de tirar o país da corrupção à moda Lava Jato, mas a condição de República das Bananas não lhes sai da alma. Quando se opta por rasgar as regras ou ou por distorcê-las à mercê de interesses privados e partidários, solta-se da caixa de pandora toda a sorte de rasteirices e trambiquices – como diria Odorico Pararaguaçu.

A história reserva uma porta de entrada a alguns indivíduos: ou para a glória ou para a desgraça. O presidente do TSE Gilmar Mendes escolheu a maneira pela qual será lembrado no futuro.  O voto de Minerva que lhe era por direito o consagrou como “coveiro da prova viva”, frase que o relator Herman Benjamin formulou em seu voto pela cassação da chapa.

Foram 25 horas e quatro dias de discussões sobre o sexo dos anjos e de conversas para boi dormir, pois já haviam decidido por não decidir.  Já se sabia o voto dos sete: em particular o do “coveiro da prova viva” que se permitiu a esgrimar o direito com tons de preferências político-partidárias desde o  início do processo. Defendeu a permanência do processo, quando esse era uma das frentes de ameaça ao mandato da presidente cassada Dilma Roussef, mas correu serelepe a arquivá-lo, pois “não se muda um presidente toda hora”.

Temer espocou um espumante, enquanto esfrega as mãos a trabalhar na troca do diretor da Polícia Federal e na escolha do substituto de Rodrigo Janot. O tempo lhe ficou favorável. Só uma forte presença das massas nas ruas por descontentamento às reformas pode inviabilizar seus cadavéricos planos de servir os direitos sociais numa badeja aos rentistas e operadores do mercado financeiro.

Não por acaso o governo prepara uma Medida Provisória para tirar da esfera jurídico-policial as investigações iniciais sobre os bancos que se anteciparem a confessar os crimes de corrupção com cometeram junto aos políticos. O efeito Palocci já provocou um estudo por caminhos que os bancos podem tomar para se obter a chamada leniência. A primeira trilha é ter como confessionário, não delegacias, mas as salas da CVM – Comissão de Valores Mobiliários e do Banco Central – com a justificativa falaciosa de que se deve proteger o sistema financeiro dos escândalos. Mas o que são os escândalos diante do é o sistema financeiro?  São desses operadores e proprietários do tráfico do dinheiro e da usura que nasce a estratégia de levar o Estado brasileiro à qualidade de mera seção do mercado financeiro internacional.

O único consolo é que enquanto existir essa massa chamada povo, os Poucos da Basiléia não conseguirão exatidão em suas planilhas de análise de conjuntura. Será sempre preciso combinar com o povo antes.  E, especificamente, hoje, estão todos enojados com as instituições. Não seria de duvidar que Gilmar Mendes seja jogado na Cova dos Leões da Mídia para aplacar a sede pelo fim das instituições corruptas que atinge os brasileiros.  Eu quero assistir de camarote.