Os lobos se alimentam da ignorância

Diante da luz, fecham os olhos.

Aqueles que têm certeza sobre tudo, não leiam esse artigo. Não percam seu tempo com reflexões.

Há uma epidemia de apego à superstição. São tantas possibilidades de conhecimento e de acesso a informações diversas que as pessoas se recolhem na “proteção” dos símbolos que eram dos seus avos e tataravós. É natural o medo da mudança. O que não faz sentido é se negar as transformações. É o que faz a ignorância ativa. Aquela que age contra tudo e todos que não estejam contemplados na sua “enciclopédia” de valores admitidos e ancestralmente pacificados. Então, se você é um desses, não leia mais esse artigo, pois irá contrariá-lo e aborrecê-lo.

Do alto da minha própria ignorância, eu respeito. Assim como, embora não concorde, também, me dobro a todas as liturgias seguidas por quaisquer grupos, sejam católicos, protestantes, islâmicos, judeus, budistas, taoístas, umbandistas, candoblecistas ou das tribos Aweti, Kalapalo, Kamaiurá, Kayapó etc. Quem sou eu para dizer em quê você deve acreditar. Quero que você acredite naquilo que te faz bem física, biológica e espiritualmente. Cada crença e seus ritos pertencem ao campo da intimidade. Me convide para conhecer sua crença, mas não a imponha. Porque os símbolos diferem, mas os valores convergem para o plano desconhecido do crer ou não crer.

Se esse argumento é incompreensível para você. Não leia adiante. Não fará diferença.

Então, é preciso de menos confrontos de baluartes e bandeiras e mais reflexão. Essa refrega de símbolos é o que os doutrinadores querem para manter seu pasto, seus postos e ganhos na hierarquia da uma organização qualquer: seja religiosa, política ou empresarial.

O momento é iconoclasta. Eu sei o quanto é difícil refletir sobre a desintegração dos símbolos que o trouxeram até aqui. Mas eles valem mais do que as vidas cujos valores dizem defender e representar? Se você acredita que para preservá-los deve cometer todo tipo de atrocidades, então para que servem seus símbolos? Vaidade, riqueza, poder?

Se você está ofendido, pare de ler, agora!

O recrudescimento contra a desintegração simbólica, ora em curso, tem provocado manifestações de intolerância e obscurantistas. Na onda para capturar suas crenças Trumpies, Dórias e Bolsonaros se apresentam como ‘salvadores’ da tradição.

O curioso é que diante de tanta possibilidade existente para o aprofundamento do autoconhecimento, conhecimento e do protagonismo, boa parte das pessoas prefira alimentar sua ignorância e delegar sua crença a terceiros – que sabem manipular como poucos o medo das pessoas.

O medo é fruto do desconhecimento. O medo é da natureza humana. É dele que nasce a superação. Sentir medo não é covardia. Covardia é repelir o desconhecido. Preferir o seguro da ignorância ao abalo instigante da diferença. Demonstração de coragem não é combater com seus dogmas as outras crenças, mas sim aceitar a convivência com elas e seus símbolos.

Não entreguem suas almas para os lobos do homem.

Acredite em si mesmo!

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