A vida ou o celular

 

Então de repente você está ali, assustado. O sangue se esvai pelo ventre, dói. Mas o medo é maior que a dor.  Sabe que se não estancar logo a hemorragia, vai desmaiar e morrer. Quanto tempo eu tenho?

Fico tentando entrar na cabeça do amigo Sávio para saber o que se passou, quando tocou o interfone de um apartamento qualquer pedindo por socorro. Quanto tempo tinha?  Se a morte é a medida da vida, o que dizer da perda da vida por um celular? É difícil entender o fetiche que os objetos provocam.  Houve uma época que os tênis eram o objeto de vida ou de morte dos delinquentes predadores dos centros urbanos – ou da “selva”, como diria Marcelo Guedes. Poderíamos, eu e Sávio, conversar durante horas sobre os jovens que davam aqueles objetos um valor muito além da simples finalidade de calçar os pés.  Mas quanto tempo eu tenho?

Hoje, os aparelhos de celular são os símbolos que querem ostentar, seja pelo mercado paralelo de compra e venda de objetos roubados,  pelo furto, roubo ou latrocínio.  O roubo seguido de morte é doentio.  Ou são psicopatas ou algo deu errado na ação dos predadores da “selva”.  Franzino, Sávio não reagiria, ainda mais contra dois. Não perderia seu tempo. Pode ter tentado converter os assaltantes com seu sacerdócio. Sim, porque Sávio acreditava em seu ‘poder esotérico’ de confrontar as pessoas com a realidade que presumia ser a verdade ou o destino – ainda que sob a ameaça de uma lâmina. Certamente, foi tudo muito rápido. O socorro nesses instantes dura uma eternidade. Quanto tempo eu tenho?

Sim, porque Sávio, inteligente que era, sabia que o tempo faz curva, enquanto se perde o que é, realmente, importante.  Os socorristas não foram os anjos que se esperava. O tempo se esvai. Haverá como repor as pontas soltas pelo caminho? De promover os desfechos?  Mas quanto tempo temos?

Vá lá, amigo, atrás da sua eternidade.

Em homenagem a Sávio de Tarso, jornalista.

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