A Articulação do Caos

Enquanto Bolsonaro pavoneia ações de um aluno ginasial, Mourão corre agenda com empresários. Quinta esteve na Fiesp – entidade que alimentou o falacioso impeachment contra Dilma Rousseff (o delta zero do fim do Estado de Direito e dos atos jurídicos perfeitos no Brasil) e também com empresários da Zona Franca de Manaus.

Enquanto Bolsonaro pavoneia o deslumbre de ser o autoritário e irracional de soltar rojões em comemoração ao golpe de 64, forma-se uma torcida entre seus eleitores para que Mourão exerça a liturgia do cargo que a bolssonaria não tem. Nem que para isto, novamente, rasguem a Constituição.

Enquanto Bolsonaro pavoneia a ignorância de não fazer “articulação” política, Mourão faz arranjos sistematicamente. E assiste com sorriso contido o fracasso da bolssonaria em todas as áreas de governo. Os ministros mais eloqüentes da bolssonaria, o são pelo fracasso em seu conjunto de ações. Vèlez: em plena implantação da Base Nacional Comum Curricular, se preocupa com a entoação do Hino Nacional e do lema da campanha eleitoral. Damares: em pleno crescimento do número de casos de feminicídio e de homofobia, se preocupa em substituir a razão e a ciência pelo proselitismo de sua religião. Ernesto Araújo: com a profundidade teórica de um pires levou a chancelaria a ser motivo de piadas e nossas exportações ao escangalho. Moro: enquanto o governo tem uma articulação de recreio infantil no Congresso, o juiz que virou político quer dar ordens ao presidente do Poder Legislativo para colocar em regime de urgência sua proposta de medidas punitivas (como se fossem de segurança pública e de prevenção à violência) em detrimento da tarefa de prioridade zero – escolhida pela plutocracia nacional – a Reforma da Previdência.

Por isso, nenhum dos atos infames dos áulicos do guru de guris Olavo de Carvalho avilta a plutocracia que está focada em um só ponto: a Reforma da Previdência. Por isso, o menino de ouro da seleção do quinteto fantástico não é ninguém mais que Paulo Guedes. O autor da ideia de desintermediar o Estado Brasileiro do papel que lhe foi conferido na Constituição: o de prover a Proteção Social. Quer que a Reforma da Previdência e da Assistência Social lhe garanta R$ 1 trilhão de sobra no orçamento nos próximos dez anos. Sem este recurso “não haverá a implantação do Sistema de Capitalização”, diz em tom ameaçador, como se tal capitalização fosse a panaceia, além de firme oportunidade de negócios ao sistema financeiro. Contudo, os países que se arriscaram a substituir o sistema previdenciário colaborativo pelo o de capitalização, no mundo, estão voltando atrás. Não deram certo. “Um estudo da OIT (Organização Internacional do Trabalho), publicado no começo deste ano, aponta que 18 dos 30 países (14 na América Latina, 14 entre ex-comunistas do Leste Europeu e 2 na África), que implantaram o sistema entre 1981 e 2014, reverteram suas previdências para sistemas solidários entre 2000 e 2018”, anotou Kupfer em sua coluna no Poder 360.

O diapasão em comum que produz o caos em tudo que tocam é a convicção pueril em ideologias de extrema-direita que servem mais para aplacar a bílis do fígado do que em operar uma mudança econômica que se transforme em ciclo virtuoso. Principalmente, porque o cenário internacional está adverso a brincadeiras de 6a. Série. Neste sentido, o movimento da oligarquia paulista, mimada em atalhar suas vontades (custe o que custar) é a expressão mais contundente que o prazo do palhaço da República acabou. Se não assumir as tarefas que o cargo exige, nos impõem um mourão contra a democracia. Será o teste definitivo de resistência das instituições brasileiras.

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