Salvem o Queiroz!

Agora que o sigilo dos dados bancários do primogênito de Bolsonaro foi quebrado, muitas informações vindas à tona darão a tônica dos crimes a serem investigados e trarão luz ao envolvimento, ou não, do clã presidencial com o Estado paralelo fluminense: a milícia.

Nesta situação, quanto mais as autoridades se aproximarem da verdade, será mais provável que “queimas de arquivo” surjam de “acidentes”, “afogamentos” ou, simplesmente, “desaparecimentos” (e de outros eufemismos para o morto de morte matada). Neste quesito, a peça-chave do quebra-cabeça que une rachadinha de salários dos parlamentos, mesada de atividades ilícitas da milícia, compra e venda de armas e até a encomenda e morte de adversários (sendo provável, neste rol, a inclusão dos assassinatos de Marielle e de Anderson, seu motorista) é ninguém mais, ninguém menos que o motorista Queiroz. Portanto, nesta altura dos acontecimentos, Queiroz deve já ter pronto o bilhete que será revelado se alguma coisa acontecer com ele.

Isto porque segundo o El País e o Jornal O Globo, vai ser difícil conter o vazamento de uma ponta da verdade:

O Ministério Público do Estado pediu a quebra do sigilo bancário do parlamentar por um período de dez anos (entre janeiro de 2007 e dezembro de 2018), alegando haver indícios de lavagem de dinheiro e da operação de uma organização criminosa em seu gabinete —no total, 95 pessoas terão suas contas reviradas, sendo que ao menos nove delas também atuaram em algum momento com funcionários do atual presidente, segundo informações do jornal O Globo, e duas delas são ligadas ao miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, buscado pela polícia sob acusação de ser o chefe do grupo Escritório do Crime, suspeito de ter ligação com o assassinato da vereadora Marielle Franco.

Impeachment

Não por esse motivo, apenas, surgem as primeiras manifestações indicando que o impeachment de Bolsonaro é uma luz no túnel para o beco sem saída em que se meteu a nação. Muitos analistas calculam que as forças que comandam o governo se limitam ao clã bolsonaro, Justiça, militares e ao “mercado”. Eu acrescentaria, a força difusa que impregna o presidente e a extrema direita que são os milicianos – que usam suas credenciais de funcionários (ou de ex-autoridades) estatais de modo privado.

A milícia é um desenho ainda pouco construído pelos analistas sociais. Sabe-se dela apenas o que o exala pelo cheiro das mortes em extensas áreas do Rio de Janeiro. Mas de quem é o comando, quantos, quantas armas, como se organizam e se reproduzem. Disso, poucos sabemos. Não apenas pela insuficiência da cobertura jornalística (de matar), mas porque o miliciano é, antes de tudo, um agente clandestino. Um infiltrado nas hostes da polícia, da Justiça e até das Forças Armadas.

Neste sentido, o presidente e seus filhos podem, pelos fios traçados até então, ter compromissos com esta guarda obscura. Os passos dados como chefe de Estado estão mais voltados para a proliferação de armas, para a legalização da munição da milícia e para tratados bélicos que pouco têm de Republicanos. A aproximação com Israel e a visita à CIA são iniciativas que trazem uma imensa interrogação. A aparente vontade de agradar Israel tem pouco de realidade econômica ou estratégica. Já a visita à CIA ou esconde um desejo de perscrutar o que a CIA sabe sobre o movimento abstruso da milícia ou, até mesmo, de oferecer seus serviços desasseados de mercenários em solo pátrio. De toda maneira, na forma e no conteúdo, os milicianos que botaram a bainha de fora neste governo não devem ser menosprezados.

Os liberais que “compraram” Bolsonaro na alta eleitoral já querem se “desfazer dos papéis”, mas buscam uma solução que mantenha o leme via Reforma da Previdência e descontingenciamento dos custos sociais do Estado. Tema muito caro para ser ser conduzido com a presença de celerados de armas em punho.

A questão é que a nação não suportará um ano de Bolsonaro, com 13 milhões de desempregados e retração do PIB. Enquanto, aos olhos de Bolsonaro, os idiotas forem os outros, a nação segue rumo a um inevitável conflito social, com greves e manifestações, com forte potencial de se transformar num cenário de explosão social com ondas de saques capitais.

De todo modo, um motorista chamado Queiroz pode ser a ignição que faltava para detonar o ejetor da cadeira presidencial. Protejam o Queiroz! Mas antes, é preciso encontrá-lo. Talquei?

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