O governo Bolsonaro desconstitui a nação

A simbiose Bolsonaro-Guedes não tem estratégia de desenvolvimento nacional. Esses fiadores dos investidores estrangeiros querem nos fazer crer que a chegada do dinheiro de fora irá nos alforiar da crise capitalista, desde que o Estado de Bem-Estar Social (nunca alcançado em sua plenitude como previsto pelos Constituintes de 88) seja “destruído” com prometeu Bolsonaro em jantar de gala nos EUA ao lado de limítrofes como Olavo de Carvalho.

Esse infeliz que promete tirar os cidadãos da idiotia é o mais raso Rasputin da atualidade. Sobrevive como consorte de generais que cultivam a ideia de que o povo pobre brasileiro é o inimigo interno dos interesses de um país arrendado aos investidores internacionais. Militares que alimentam a missão abutre de perseguir, matar e torturar ‘dissidentes’ políticos (AI-5/68).

Essa excrescência intelectual só encontra amparo por causa de um hiato de lideranças. O colapso da representação política é o esteio e a manifestação da fragmentação de opiniões sobre crenças, ensinamentos, conhecimentos e símbolos que paralisam as forças políticas (e a mobilização popular), anestesiadas pela poluição de informação falsa e tóxica em circulação nas mídias sociais.

Disputa pelo poder de agenda

A babel presente intensifica a disputa pelo Poder de Agenda, que, no caso, cumpre compromissos orientados a um ajuste fiscal do Estado brasileiro. Há um consenso entre os ricos que o Estado deve passar por um novo ordenamento fiscal. Bolsonaro tem sido a mula manca deste projeto. Enquanto distraí o povo com basófias, os ricos tratam de desconstituir o estado como tal. Há muitos argumentos notáveis sobre o controle das contas públicas, mas nenhum sobre desenvolvimento economico. Há apenas corte de despesas e venda de ativos. Não existe nenhum país da grandeza do Brasil que tenha mantido a integridade nacional e territorial com um estado tíbio. Mas a agenda atual, com pacote econômico batizado de Estado de Emergência Fiscal, se aprovado, será o golpe de misericórdia (o tiro de confere) de Guedes que vai levar o Brasil para a falência como nação constituída.

Não se trata como tardiamente vaticinou o sociólogo e ex-presidente da República FHC de uma disputa entre “liberalismo conservador” e “liberalismo progressista”. Por trás deste jogo de palavras se expressa a velha disputa entre o fascismo e a social-democracia. A semântica empregada pelo sociólogo aposentado tem a missão de tergiversar sobre as reais contradições internas da sociedade: capital x trabalho (que, nesta quadra histórica, estão prenhas de mudanças de qualidade). A quem caberá os escombros (ou o butim) de um Estado de Bem-Estar social que não interessa mais aos ultra-ricos? O resultado desta contenda entre ricos e pobres sobre os objetivos de um Estado-Nação irá se expressar nas funções que o Estado irá exercer dentro de um contexto econômico em que é dispensável pelos poucos bilionários e trilionárias coorporações.

Lideranças populares

É nesse contexto que lideranças políticas populares como Lula aparecem como ameaça ao projeto de destituir o Brasil do Estado atual. Lula com seu carisma consegue romper a fragmentação de opiniões que turvam o debate político. Não por acaso encilharam o nome do ex-presidente a contextos de corrupção seculares com o notório interesse de mitigar a influência dos interesses dos trabalhadores e pobres no poder de agenda econômico e eleitoral (nada é mais corrupto, coercitivo e ameaçador do que o exercício da milícia – que concorre com o poder regulamentar do Estado).

Sem lideranças populares que articulem o povo, o regime democrático irá sucumbir. Sem democracia, se estabelece a guerra. As oligarquias regionais estão em ponto de tensão que irá crescer à medida que o governo atual, com a imposição do novo Pacto Federativo, venha destituir o poder do povo de, por exemplo, criar seus próprios municipios (contrariando, mais uma vez a Constituição) em nome do ajuste da planilha fiscal. Os entes federativos, evidentemente, devem ter equilíbrio e autonomia financeira. Mas não podem ser eliminados por uma doutrina economicista que financia a guerra e despreza a natureza democrática “do poder que emanda do povo”.

Um Estado que não serve a seu povo não serve para nada

Os neoliberais fascistas que estão no poder almejam uma sociedade diciplinada e subserviente que não existe na vida real. Preferem suprimir a diversidade a ter que admitir a convivência pacífica com os diferentes. Se vitoriosos em seus intentos irão deixar o povo sem nenhum amparo do Estado Brasileiro. Sabem que haverá reação social e nas conversas reservadas preconizam armar milicias e empregar o uso da força policial para eliminar quem se sublevar contra a miserabilidade que se desenha (e produzir genocídio como o que já ocorre no Rio de Janeiro).

Contudo, a história ensina que um Estado que não serve ao seu povo não serve para nada e fatalmente será demolido. Ainda que passem décadas. As lideranças populares são a única chave de sucesso para a constituição do Estado-Nação brasileiro. Bolsonaro e Guedes podem desconstituir a nação, mas outra com legitimidade popular irá sugir, queiram ou não. Está escrito na história.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s