O jogo da regra

Não há lei, cláusula pétrea, constituição ou instituição que não esteja imune à arrogância dos mimados ricos que impõe regras novas a cada rodada em que perdem; quando não vencem, mudam as regras.

Evo Morales deu seu mandato como testemunho de que nesta quadra histórica os ricos mimados perderam o pouco apreço que tinham pelo respeito às regras. Os mimados ricos procuram manter a imagem no limite do esgarçamento da opinião pública – que se não puder ser convencida pelos meios eletrônicos de comunicação de massa e pelas mentiras das redes sociais, será dobrada à força (a propósito, porque os jornalistas das chamadas majors não pronunciam a palavra G-O-L-P-E D-E E-S-T-A-D-0. Vamos lá tentar: “Evo sofreu um GOLPE DE ESTADO depois de um atentado que derrubou o helicóptero em que viajava”).

No Brasil, o ódio também cega. Não importa que todos os constitucionalistas do mundo digam: presunção de inocência até trânsito em julgado é uma cláusula pétrea da Constituição do Brasil de 88. Dentre eles, ninguém ouvirá. Tenho, por força do hábito e obrigação de ofício, acompanhado o Sistema Globo de Jornalismo. Seus áulicos como o inacreditavelmente acadêmico brasileiro das Letras, Merval Pereira, dizem que o STF “proíbe, impede, restringe” prisão após 2a. instância. Ora nada mudou, preclaro Merval. A qualquer cidadão, ao qual se tenha prova cabal, cabe prisão preventiva. Qualquer repórter que possa mover suas nádegas até o atual pai dos burros, o Google, poderá se informar que quase a metade dos mais de 600 mil presos no Brasil estão em condições de presos provisórios: aguardando qualquer julgamente. Então, é obvio que a protelação em se julgar e prender em nada tem a ver com a demonização que se faz contra os direitos elencados na Constituição Cidadã (e vamos combinar que antes dela, os mimados ricos sempre achavam uma saída para não enfrentarem seu próprios crimes em um juizado composto por amigos remediados e/ou afortunados).

Aos inimigos a Lei

A rigor, aos inimigos a Lei, e se porventura, não se conseguir escolher o juiz, o foro, orientar e induzir o processo com provas frágeis e sem nexo causal, o negócio é mudar a Lei. De alguma forma hão de procurar manter enjaulado, ou fora da mesa, o inimigo da temporada histórica: o ex presidente Luis Inácio da Silva (não, não há provas que tenha usurpado os cofres da nação como fizeram aqueles que o querem longe do convívio com os eleitores). De quê têm medo, a ponto de mais uma vez tentar mudar a regra do jogo? Não é preciso responder a perguntas retóricas. Todos sabem, principalmente os algozes.

Assista ao Clipe O Real Resiste

Há, contudo (sempre há um entretanto), um outro erro de cálculo dos ricos mimados. De tanto sovar a massa, o pão cresce além do esperado: a realidade, como um requinte de crueldade, se impõe. Não adianta negá-la. Como gravou, recentemente, Arnaldo Antunes: O Real Resiste. Você até pode acreditar que a Terra é Plana, mas, realmente, ela é redonda. Você, cruelmente, até pode impôr que os costumes se dobrem às suas doutrinas conservadoras, mas não consiguirá fazê-lo dentro de um Estado Democrático e de Direito. Você pode até ignorar as contradições internas da sociedade e do sistema capitalista, mas elas não precisam de sua crença para explodirem, se manifestarem em cada lugar com seus líderes e suas necessidades.

No Brasil, a classe média urbana que, paulatinamente, perde seu poder de compra, também, tem seus mimos e por mais que ora penda à raiva para expiar sua frustração, quando se descobrir amiúde, sem renda mínima, sem amparo mínimo que o Estado lhe dava e assodada pelo fundamentalismo evangélico, e à mercê dos planos de saúde e das escolas particulares irá reagir. Aí os ventos mudarão. É antes um cálculo sócio-político de que os indivíduos outrora remediados vão seguir à reboque dos estratos sociais que já estiverem organizados. Daí o medo do Gabinete de Segurança Institucional: um líder livre para liderar.

Essa é uma regra difícil de quebrar. Nem que Olavabo de Carvalho ore sobre a Bíblia.

PS. Estou meeditando apenas sobre a Democracia, apenas.

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