Paulo Fracasso Que Anda Guedes

Os patrocinadores do governo não sabem o que fazer com Bolsonaro.  Enquanto isso, Guedes é apenas um capitão que foi instado a afundar com o navio.

Bolsonaro está em xeque.  Há pouco mais de uma semana, o xeque era na Dama ( leia-se, Paulo  Guedes) que até ameaçou abandonar o tabuleiro. Acuado, Bolsonaro movimenta os cavalos no Ceará em um cenário que denota a maior crise institucional do Brasil desde a redemocratização.

Senador foi atingido por calibre .40

A cavalaria pode até supor que o Congresso Brasileiro seja como o do Haiti para mandar um “foda-se” ao  Salão Verde, mas o jantar na casa do presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia é o sinal mais expressivo que a trégua pelo impeachment acabou.  Mesmo sem autocrítica – pelo partido que foi tomado – os editoriais da imprensa apresentam um a um suas armas para depor Bolsonaro. Kamel liberou Merval para que suas tertúlias políticas alvejassem os Bolsonaros; Miriam Leitão, finalmente, se indignou; Sardenberg, enfim, encontrou a relação da economia ruim com as ações do executivo. Até Eliane Cantanhêde e Renata Lo Prete decidiram dar um basta.

A jornalista Patrícia Toledo de Campos Mello da Folha de São Paulo foi ofendida em sua honra pelo presidente da República

Nunca saberemos se a gota d’água foi a ofensa sexista contra a jornalista Patrícia Toledo de Campos Mello da Folha, os indícios de acertos com o miliciano Adriano morto numa emboscada, o apoio aos tiros no peito do Senador da República Cid Gomes ou simplesmente porque a propalada retomada econômica minguou. Mas o fato é que o tempo político de Bolsonaro é, agora, um pavio aceso rumo ao paiol.

Maia adiou o que pôde, pois não teria nenhum ganho direto com o segundo afastamento presidencial em menos de quatro anos. Ele é o beneficiário das aprovações que providencia na casa e, portanto, caminhava para se credenciar candidato à Presidência da República como o articulador das reformas que os ricos desejam. Um impeachment, agora, o forçaria a mudar de estratégia política.

O Supremo também não queria um novo problema além da tutela que judicializou a política e criminaliza os movimentos sociais. José Antonio Dias Toffoli conteve o que pôde.

Mas o fato é que o ocupante do Palácio do Planalto tornou-se um inquilino incômodo aos próprios fiadores do seu governo. A perspectiva pífia de crescimento econômico e a escalada do dólar, fatores que resultam entre outros motivos do degelo das reservas cambiais e da inviabilidade do projeto de formar caixa vendendo estatais, passaram a minar a agenda do mercado.  E exauriu a margem de manobra almejada da tão sonhada sobra fiscal para afiançar o retorno aos investimentos que não vieram.

Em ano eleitoral, em condições normais de pressão e temperatura, o tempo político para a aprovação das reformas é junho.  O tempo da vigência dos efeitos da política fiscal é ditado pelo humor do câmbio. Em ambos os casos, não há expectativas favoráveis. Somam-se a esse quadro o sombrio painel mundial de desaquecimento econômico com coronavírus, paralisia dos mercados, guerra comercial, cambial e crises financeiras no horizonte. 

Ao pedir para sair, Paulo  Guedes acusou que o barco faz água. O mercado contava com ele para tocar o país, enquanto seu chefe entreteria a nação com bazófias. Mas, os banqueiros agora se deram conta que Bolsonaro está por demais comprometido com as milícias que querem apenas viver à sombra do estado e inaugurar novas áreas de exploração de commodities.

Adriano, o miliciano morto em emboscada

Nem adianta Campos Neto diminuir os depósitos compulsórios dos bancos, ninguém vai meter a mão no bolso enquanto um insulto vestir a faixa presidencial.  Paulo Guedes, depois do Chile, acumula mais um fracasso na área pública em seu currículo.

Resta apurar se as instituições resistirão aos desmandos miliciânicos e se Mourão seguirá o juramento que fez à Constituição. Veremos.

O abandonar do barco

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