Coronavírus e crise econômica: a nação brasileira está ao léu

Não há vontade política, nem desprendimento moral para que este governo evite uma catástrofe sanitária, econômica e financeira que se avizinha.

Não é segredo para quem analisa a movimentação política que Bolsonaro e sua trupe de fanfarrões preparam uma quartelada contra as instituições. Os atos e discursos recentes dão lastro a essa vontade atávica entre aqueles que desprezam a democracia e o Estado de Direito.

A queda de braço pelo comando do chamada Orçamento Impositivo era apenas o pano de fundo de uma movimentação paramilitar que teve origem com o motim dos PMs no Ceará. Não por acaso, após a passagem dos Bolsonaro por Guarujá, em São Paulo, coincidentemente, já há movimentação semelhante entre os policiais paulistas.

O discurso totalitário de Bolsonaro encontra apoio firme de militares que atuam na sombra das suas instituições, de milicianos, de profissionais liberais da classe média agonizante e dos empresários, especialmente, que atuam no ramo de grandes magazines e franquias (afetadas negativamente pela nova economia).  Os bancos querem pular do barco.

Partem da ilusão que os problemas do Brasil são os brasileiros pobres e esclarecidos quantos aos direitos de cidadania. Essa projeção rastaquera da realidade transformou o Brasil num circo de horror. 

A realidade, contudo, não acolhe desaforos. A pandemia de coronavírus tornou-se a agulha que estourou uma gigantesca bolha financeira que se equilibrava mal e porcamente sobre uma economia real que ralentava para manter a renda exigida e remunerar os capitais investidos.  O desequilíbrio entre produto e o excesso de capitais em circulação ficou exposto. Os chamados valores de mercados de empresas vão descer a ladeira nos próximos anos, fragilizando todas as garantias dadas a créditos tomados.

Estruturalmente, se a queda prevista da demanda/consumo nas próximas décadas representava a maior dor de cabeça para os investidores, tudo foi exponencialmente agravado pela “agulha” que foi caprichosamente dada pelo destino do mundo: uma pandemia. 

Neste cenário, conjunturalmente, o sistema vai entrar em default, vai paralisar. Uma gigante depressão está no horizonte. Empresas terão trabalhadores dispensados por infecção; os encargos e custos serão mantidos, mesmo com um redução drástica de venda e produção; após uma corrida aos mercados, o comércio irá rarear a oferta de produtos e parte fechará suas portas. O desabastecimento, o desemprego irão promover, fatalmente, conflitos sociais.

No Brasil faltam insumos básicos na rede hospitalar para acolher e tratar pneumonias. Nem material descartável suficiente temos para pronta entrega. Os limites orçamentários impostos pelo Teto do Gastos tornaram-se um entrave não só para proteger e tratar os cidadãos da epidemia, mas também para financiar medidas anticíclicas, anti recessão, sim, com investimentos públicos, para evitar a falência para a qual o laissez faire de Paulo Fracasso que Anda Guedes está nos levando.  Não são as reformas que darão rumo ao Brasil, pois os empresários não irão colocar a mão nos bolsos em momento tão arriscado e sem consumo. Agora é hora de mostrar que os Neoliberais bebem de uma utopia anti civilizatória. A coordenação do Estado, agora, é fundamental.

O Brasil não pode ficar a mercê de modelos que ora não servirão para nada.  Precisa de consenso e direção. Rumo que Bolsonaro e sua trupe não podem fornecer.

A provocação do dia 15 é uma irresponsabilidade. Não pela aglomeração de pessoas, em tempos de coronavírus, mas pela mais completa falta de correspondência com os fatos. Os zumbis estão no comando.

PS: Qualquer medida proibindo aglomeração será usada contra protestos populares

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