Faltou um abraço. Aquele, abraço

Semana 1 da pandemia

Neste semana, aprendi os protocolos para entrar e sair de casa tratando o ambiente como uma imaculada unidade de terapia intensiva. Não abraço ninguém sem antes tirar e ensacar toda a roupa que será enviada à máquina de lavar.

A esperança é que a ação dos detergentes possa desintegrar os cristaizinhos desconhecidos pelo meu sistema imunológico e que podem acabar com minha capacidade respiratória. O coronavírus é cerca de 700 vezes menor que uma célula e você nunca vai enxergá-lo a olho nú. As microscópicas esferazinhas têm anteninhas como uns “ganchinhos” em forma de S que foram, naturalmente, feitas para invadir nossas células. Ficam 8 horas flutuando no aerosol e quando se depositam na superfície podem ficar até 9 dias ativos. Mas são, facilmente, desintegrados por bons alcoóis e produtos de limpeza.

Por isso, me arrependo de não ter abraçado mais a muito mais gente antes dessa fase civilizatória.

Uma senhora espanhola chora a partida do seu marido

Enquantos amigos e familiares buscam um recanto seguro, todo o sistema produtivo e econômico antecipa um colapso que será angustiante. A depressão econômica que viria com um povo são, chega no esteio de uma pandemia em que as pessoas não podem ter contato umas às outras, nem compartilhar objetos, máquinas, livremente com os outros.

Estados Unidos, França, Itália, Alemanhã e outros países em que predomina o liberalismo econômico estão, paradoxalmente, colocando a máquina do Estado para financiar a batalha sanitária, franqueando os serviços das concessionárias de água, luz e internet (telefonia), bem como distribuindo dinheiro para que os cidadãos em quarentena possam comprar seus mantimentos. A medida é humanitária, certamente, mas tem um componente que vacina um potencial debacle do sistema capitalista. A distribuição dos recursos estatais mantém o mínimo de giro do mercado, produção e arrecadação tornando possível acelerar a retomada econômica após a crise.

As inações de Bolsonaro e de Skaf da Fiesp são de uma virulencia cruel

Bolsonaro se queixou das ações dos governadores. Foram as decisões de como isolar a população as principais medidas para diminuir a velocidade de propagação do coronavírus e não levar o sistema de saúde ao colapso, como aconteceu na Itália. Ainda assim, por não protagonizar, por dedidir não agir, Bolsonaro critica quem está fazendo algo. Fez uma reunião em que Paulo Skaf falou pelos empresários. Seria melhor que o empresário estivesse morando em Miami. Sua fala foi de produzir vergonha alheia. Colocou os Sistema S à disposição e pediu para ingressar em um comitê de crise, em que se comprometeu a fazer o que estiver diante das possibilidades dos empresários de acordo com as determinações de Bolsonaro. Ora, Bolsonaro está à reboque dos fatos. Ora, um decreto de emergência pode determinar a requisição de quaisquer dependências, inclusive Sesi, Sesc, Senac etc. Ora, se esperava que os líderes empresariais tivessem a livre iniciativa de conduzir os processo de transformar metalúrgicas em fábricas de macas, em componentes hospitalares; em distribuição de produtos de higiene gratuitamente. Mas não. É só mais um preocupado com a sobrevivência do capital, apenas.

O ministro da Saúde, Luiz Mandetta, que debutou bem durante o início da pandemia, agora anunciou a previsão de colapso do sistema no fim de abril. É muito infeliz. Ainda não entendo porque as barracas de campanha do Exército não estão montadas nos campos para receber os pacientes.

As medidas de Guedes também visam salvar o capital, apenas (não me falem dos R$ 200 reais esmolados). É preciso pensar à altura da emergência, colocar 4%, 6% ou 8% do PIB nas mãos das pessoas para mantê-las salvas da epidemia e a economia longe da bancarrota.

A Hipótese de Mercado Perfeito é só uma crença ‘quase religiosa’ bem como o neoliberalismo econômico é uma utopia que nunca vingará. As escolas, a Fundação Getúlio Vargas, Insper, PUC e FEA, Unicamp, devem respostas agora à realidade. Perdemos dez anos cultivando ideias que não correspondem aos fatos. Todas as defesas do Estado Brasileiro estiveram (e ainda estão) sob ataque. Mas Bolsonaro e outros retardados ainda não conseguiram destruir tudo.

Despedidas e resistências

As comunidades sem sabonetes e detergentes vão se despedir dos seus que não encontrarão recursos médicos a tempo. Quando faltar alimento vão partir para o saque. O governo vai responder com Estado de Sítio. Mas ainda assim não vai conter a fome de ninguém.

O dinheiro que gastariam para manter o giro mínimo da economia, vão torrar com recursos militares. Querem responder ao que virá com a força. Vão ampliar o déficit público em nome da opressão.

No final quem ficar vivo, ficará mais resistente. Será o começo do fim do governo. E talvez do próprio Estado. Tudo vai depender de como a epidemia será controlada até o surgimento de uma vacina. Por fim, mesmo que a COVID-19 venha ter uma vacina, nunca teremos um antídoto para a idiotice de Bolsonaro, Guedes e Skaf.

Ainda bem que os governadores estão fazendo alguma coisa.

Em tempo: Bolsonaro divulgou mais uma bazófia referendando uma medicação para malária como solução para o coronavírus, sendo que não há nenhuma comprovação científica. Ele imita o boquirroto Trump e mina a única defesa das pessoas contra a contaminação. É urgente que Bolsonaro fique em quarentena mental e verbal.

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