Pândegas da pandemia e burros da economia

Antes da derrota no Congresso Nacional, Bolsonaro recua do artigo da Medida Provisória que previa 4 meses sem salário para trabalhador

Ainda não está claro quem foi o ‘Jênio’ (com J mesmo, do modo como Paulo Henrique Amorim se referia aos burros) que resolveu suspender os rendimentos dos empregados durante a pandemia de coronavírus ou (como diriam os janotas grafistas) cortar a massa salarial da economia. Mas, com certeza, a ‘jenialidade’ saiu do gabinete de Paulo Guedes para a assinatura de Bolsonaro.

É desnecessário argumentar o quão desumano e cruel é o pensamento que vislumbra deixar milhões de brasileiros sem dinheiro durante a pandemia. “Somente um monstro, cercado por equipe econômica insana, poderia gerar esse tipo de medida”, diz oposição sobre a MP 927.

Independentemente da oposição, cabe uma reflexão dentro do pensamento econômico liberal: o artigo 18 – ora revogado – é uma burrice!

No afã de proteger o capital, cujo o giro descerá a níveis paralisantes, o Fracasso Andante mirou no trabalho. “Suspendemos os contratos, o trabalhador faz quarentena, não produzimos, não pagamos e o capital da empresa está preservado”.

Com certeza Paulo Fracasso que Anda Guedes faltou às aulas de Keynes, do capitalismo de Estado

Após quatro meses de supressão da massa salarial não haverá mais economia a ser recuperada. O PIB recuaria perto de 8 pontos. O governo não teria mais arrecadação; o déficit fiscal se tornaria estrutural e a ruptura sócio-política seria nefasta. E as empresas iriam quebrar com certeza. Com desemprego generalizado, evidentemente. Ou seja, os argumentos usados para suspender os rendimentos dos trabalhadores são o próprio veneno da economia. Não há saída sem a iniciativa, sem o ordenamento, sem a organização, sem uma estratégia de queda e recuperação da economia capitaneada pelo Estado Brasileiro.

A realidade é que o governo federal não sabe o que fazer. Uma MP para enfrentar a crise econômica proveniente da queda da demanda e da oferta nunca poderia ser feita sem uma consulta a todos os setores econômicos, políticos e sociais. Nunca um projeto açodado e amarfanhado – feito os paletós de Guedes – poderia ter aderência e assertividade.

As principais economias do mundo estão colocando perto de 10% do PIB para combater a pandemia, incluindo a distribuição de renda para manter efetivo o consumo e a produção básicos da economia. De modo, a permitir, futuramente, que o sistema capitalista mantenha uma organização mínima para ser acelerado no final do fim do mundo.

Taxar riquezas, grandes fortunas, dispor das reservas, anistiar recolhimento de impostos de empresas e de trabalhadores são ferramentas fiscais que qualquer governo adotaria emergencialmente. Suspender (ou assumir) cobranças de aluguéis, dívidas, das concessionárias de água, luz, telefonia e distribuir renda são instrumento para a expansão monetária que qualquer governo adotaria emergencialmente.

O problema é que não temos governo. São pândegas numa pandemia.

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