Renúncia ou camisa de força!

Por mais óbvio que seja, as pessoas esperam que um governo, no mínimo, governe

Em artigo publicado nesta quinta-feira (26), a jornalista do Valor Econômico Maria Cristina Fernandes traça os caminhos que poderiam dar rumo emergencial ao Brasil, pois o presidente “já não governa”. O artigo especula sobre quem tem teria autoridade moral para colocar o guizo no gato e avisá-lo que sua inépcia está nua. E não é de hoje. As selfies do coronavírus, 15 de Março, e o teor patricída (escrito pelo filho Carlos Bolsonaro) do pronunciamento à nação (Freud explica) sacramentaram o Tarja-Preta que veste a faixa presidencial.

Não é necessário mais desenhar a situação

A postura do ex-capitão contra o isolamento social perante a pandemia do coronavírus (associada à potencial recessão mundial) acendeu todos os alarmes e levou Bolsonaro, veja só, ao isolamento político. De modo que para Fernandes caberia aos militares, “PhDs” em milícia, o papel de convencer o presidente a se retirar.

“Vem daí a solução que ganha corpo, até nos meios militares, de uma saída do presidente por renúncia. O problema é convencê-lo. A troco de que entregaria um mandato conquistado nas urnas? O bem mais valioso que o presidente tem hoje é a liberdade dos filhos. Esta é a moeda em jogo”, diz a editorialista.

Mas, como ela mesma ressaltou, até o momento, os filhos do presidente não foram condenados a nenhum crime, apesar dos indícios e de investigações em curso. De modo, que a barganha é banguela. Mas não deixa de ser um balão de ensaio.

Antes de responder se Bolsonaro morderia a isca é preciso saber quem lançaria o anzol. E em todo esse universo só há uma pessoa capaz de dispor de recursos e meios imediatos para levar o clã Bolsonaro às barras da Justiça. Sim, ele mesmo: Sérgio Moro. Em todo seu silêncio eloquente, diante da crise, Moro estaria instrumentalizando uma solução para demover seu chefe do apego ao cargo? Mas por qual motivo?

As brancas de Bolsonaro estão a um lance de tomar xeque-mate

Os operadores atrás do tapume têm Moro na manga. O que falta neste tabuleiro é o rei posto. Mourão? A solução Mourão via impeachment demanda um tempo que a pandemia retirou dos políticos. Cassação da chapa? Assumiria Hadad? Esse desenho é inimaginável pelos articuladores. E, também, não haveria tempo hábil, diante do cenário de guerra contra o Coronavírus. Parlamentarismo? Não dá, sem plebiscito!

Já existe hegemonia para a queda de Bolsonaro, mas não há acordo para sucedê-lo. Daí o balão de ensaio da editorialista do Valor Econômico: uma renúncia, simples e célere. Bolsanoro pouparia o pouco que resta de seu capital político para uma próxima rodada (e sempre diria que desistiu em nome no Brasil, blá, blá, blá). E, em tese, entregaria a sorte dos seus filhos a um Engavetador Geral da República qualquer.

Ocorre que esse exercício contém uma boa dose de razão e raciocínio envolvidos e quando se lida com retardados mentais não há racionalidade a ser considerada. A resposta sempre difere da provável. Para ameaçar um louco, só usando de loucura. Neste caso, a ameaça possível e imediada são uma junta médica, uma análise psquiátrica e uma camisa de força.

Bolsonaro sairia de cena e Mourão teria um vasto espaço para negociar a sucessão: incluindo a renúncia no timing certo para se convocar novas eleições. Neste cenário o cavalo Malhadinho do Moro apareceria no hipódromo. Para a alegria da alta-roda e o desalento da patuleia. Resta saber se os operadores combinaram este resultado com a conjuntura que, hoje, com a velocidade das mortes da pandemia e com o espectro da recessão que ronda a economia, roda numa velocidade de desintegrar qualquer popularidade. Inclusive do ex-juiz de Curitiba.

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