Bolsonaro blefa e ganha tempo para arregimentar militares e forças auxiliares a sua milícia

Dentro da institucionalidade Bolsonaro não tem futuro.

A vocação com a qual brande seu desprezo pelas legitimas disputas democráticas está mais do que registrada em ações, palavras e arroubos. Mesmo cumprindo as determinações – até o momento – do judiciário e do legislativo, não são meras fanfarrices, as bazófias em que encena um ataque às instituições, que, por ora, só não foi levado a efeito porque Bolsonaro não reuniu o apoio necessário para romper com os deveres a todos impostos pela Estado Democrático e de Direito.

É a liberdade dos outros que lhes incomodam, não apenas a Bolsonaro pai, mas aos filhos castrados e aos pérfidos ministros, incluindo Paulo Guedes que gostaria de ‘tratorar’ a Constituição com a mesma veemência que Ricardo Salles dedica às florestas.

No horizonte do caudilho extremamente conservador apenas as ordens e a obediência cega importam. Neste sentido, a dinâmica da caserna e dos quartéis é a mais aceita. Bolsonaro arregimenta armas e soldados para impor a “liberdade” dele, como já é feito nos territórios dominados no Rio de Janeiro.

A milícia subiu a rampa do Planalto mas ainda não governa. Para dar esse passo fatal à democracia, Bolsonaro teria que reunir o apoio dos comandos militares do Exército – não apenas dos generais da reserva. Muito tem-se dito que os comandantes, por ora, não aventurariam-se. A menos que fossem pressionados a tomar partido.

O caos como desejo

Bolsonaro quer o caos, provocar distúrbios sociais que sejam controlados à força pelas Polícias Militares – como os provocados em São Paulo e Rio de Janeiro durante a marcha pela democracia e contra a morte de inocentes, principalmente, negros (no esteio dos atos de protesto pela morte do americano George Floyd). Tanto do Rio, quanto em São Paulo, as PM’s agiram com pouco apreço ao comando do governador local e sim pelo animus pregado por Bolsonaro.

Então fica a pergunta: até que ponto os governadores, todos eles, detêm o controle de fato sobre suas corporações. É sabido que os ganhos salariais são sempre um estopim de greves e motins das guarnições militares – que todos os anos se repetem. Em fevereiro, antes do toque de recolher da pandemia do novo coronavírus, os sublevados cearenses atentaram contra o senador Cid Gomes e, nas primeiras investigações, não concluídas, bolsonaristas desenhavam um plano para enfrentar o governador.

Policiais militares arregimentados como forças auxiliares não só minariam a base dos governadores, que fazem oposição a Bolsonaro, como lhe dariam o apoio que precisa para sua aventura contra as instituições e, por outro lado, pressionariam os comandantes da Infantaria a se posicionarem.

Hoje, Bolsonaro blefa quando diz que usará as armas, pois não as tem em número e em apoio. Mas ele prepara o terreno para forçar uma quartelada , agrupando cabos e soldados a sua base. O que já é a ruptura, no caso, da disciplina e hierarquia.

Bolsonaro pretende amadurecer seus propósitos antes que as forças democráticas se reagrupem.

O tempo faz curva, e, nessa quadra histórica, corre rápido contra todos, principalmente, para enfrentar as crises que estão confluindo para estourar juntas no final do inverno, agosto/setembro: lá o ápice da crise sanitária e o cume da crise econômica vão se cruzar. A curva de taxa de juros futuros e as projeções cambiais, aliadas às previsões da desidratação das reservas e da atividade econônica, somadas às perdas de vidas pelo novo coronavírus trarão um cenário que nunca foi visto pelas atuais gerações.

Ou as intituições resistem ou o Estado será tomado por milicianos.

Quando Bolsonaro convoca seus aliados para empunhar armas em defesa de seus propósitos, não mede como essa mensagem chegará aos jovens das periferias metropolitanas. Nem ele tem ideia do que seria uma guerra civil no Brasil atual.

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