O sociólogo que escamoteia o ‘nós e eles’

FHC é um ilusionista do Capital. Aparece sempre como força auxiliar daqueles que estão sovando-nos para dizer que a sociedade precisa de paz.

Os garotos de Higienópolis tinham tudo para dar um rumo social-democrata ao Estado proto-liberal brasileiro. Como qualquer aluno de Ciências Sociais sabe o Brasil nunca alcançou um Estado com o grau de capitalismo liberal que admite e coordena as contradições entre o Capital e o Trabalho. Getúlio Vargas ousou admitir, Juscelino tentou usufruir, Lula incorporou-nos ao mercado. Mas eles, ah, eles nunca aceitaram a existência dessa tensão, tão real quanto a lei da gravidade. E dada a quadra histórica que o mundo se encontra, o Brasil perdeu a janela da social-democracia.

O bolsonarismo é o poder dos capitães do mato

O ex-presidente, sociólogo da Universidade de São Paulo, não fraudou seu Currículo Lattes como o ministério de Bolsonaro que atingiu a maior concentração de currículo vitae por metro quadrado na Esplanada. Portanto, ele tem conteúdo suficiente para saber que o bolsonarismo é a expressão do que há de mais perverso entre os conservadores brasileiros.

Durante todo seu governo e, mais tarde, em oposição, aos rapazes do ABC, Fernando Henrique Cardoso foi choroso que os trabalhadores dividiam os atores políticos entre “nós e eles”. Quase rasgando seu diploma de sociólogo se queixava da representação política que expressava o “nós e eles”. Lula, personificação da representação trabalhista, metalúrgico de São Bernardo do Campo, forjado nas fábricas que muitos lucros remeteram aos “patrocinadores” do investimento estrangeiro, vocalizava uma necessidade real. Diferentemente, da necessidade da Casa Grande. Mas a demanda dos trabalhadores soava aos sensíveis ouvidos doutrinados na França como uma pressão injusta aqueles comissionados que estavam fazendo de tudo para vender um naco da pátria em troca de um investimento cujo lucro dependia da nossa própria mão-de-obra.

FHC é a versão café-com-leite do olavismo

Na mesma semana em que Davi Alcolumbre torna lúgubre o futuro da oferta d’água e das tarifas que serão cobradas dos brasileiros, Fernando Henrique Cardoso pede paz e tolerância com o bolsonarismo. Não existe coincidência em política. A banca pressionava Bolsonaro para que parasse de atentar contra os “contratos”, usando a presssão do garoto prodígio Sérgio Moro e das investigações dos crimes perpetrados pelos seus filhos e seus extremistas. No ápice das descobertas do STF, por um lado, e do juiz Itabaiana, por outro, Bolsonaro recua e encena aparência com rivotril. Todos aguardam agora a sanção presidencial da lei do Mercado das Águas. Muitos argumentos favoráveis foram semeados na mídia diante de uma realidade cruel de falta de saneamento. Mas sabemos que os fins são outros. Nenhuma das concessões feitas por Fernando Henrique Cardoso cumpre as metas estabelecidas de universalização dos serviços, seja na telefonia ou energia elétrica, quiça farão os que virão explorar o precioso líquido dos próximos 50 anos. Tudo financiado pelo BNDES.

Aos que participarão dos negócios, uma vitória financeira. Aos que dependem da água, mais um intermediário a ser pago. A riqueza deles não vem do trabalho como o vosso, mas da comissão da venda do vosso trabalho e patrimônio. A terceirização das concessões de fontes de água se transformarão nas próximas décadas no principal motivo de guerras dentro do território nacional, inclusive, com intervenções estrangeiras. Ao pedirem paz para concluir esse negócio, os garotos de Higienópolis, só contribuem para esgarçar o “nós e eles”.

Enquanto Olavo de Carvalho assume posição a favor da Casa Grande, o dândi de Higienópolis, para não atrapalhar aos negócios, finge que “nós e eles” somos iguais.

Quais os fins da paz henriquiana?

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