BRASIL: Estamos sendo espancados até a morte

Há algo de perverso no ar que remonta às origens do desprezo pelos indefesos. Um escárnio coletivo. Uma barbárie.

Nada mais simbólico – nos dias que correm – do que a morte de um garoto de 4 anos ter causa numa suposta sessão de espancamento cujo autor seria um médico, sem exercício da profissão, vereador da sombria Câmara Municipal carioca e filho primogênito de um policial com, ao que tudo indica, ligações milicianas.

Muito se dirá sobre a pusilanimidade de Jairinho e sobre a conivência de Monique que acobertou a monstruosidade do parceiro. Mas análises e investigações não responderão os porquês, Henry. Ficamos todos horrorizados.

Os brasileiros assistem sem reação aos poucos bem-aquinhoados disporem dos meios e dos recursos para, também, acobertar outros tipos de perversidade.

O jantar de milionários com Bolsonaro em São Paulo poderia ser um palco de cobrança e críticas contra a conspurcação sanitária que leva cerca de 4 mil brasileiros à morte por dia. Mas não, a ribalta foi de ovação. Bolsanaro foi atrás de apoio contra o lockdown e foi aclamado. A solução da vacinação privada, ética e moralmente deplorável, foi servida, regada à champagne Veuve Clicquot, na mansão de Washington Cinel, dono da empresa de segurança Gocil, no Jardim América, em frente à casa do ex-deputado Paulo Maluf (não é outro símbolo dos dias de hoje que o anfitrião fora um magnata da segurança privada? E não de outro setor?).

Acobertam a inação do governo contra a pandemia.

Os que estiveram no jantar disseram que Bolsonaro chamou João Dória de covarde, por causa da implantação das medidas de isolamento social. – A única atitude científicamente razoável diante da falta de atuação sistêmica do governo federal. Os ricos aclamaram, justamente, aquele que tossiu sem máscara na cara de uma multidão; que sujou as mãos no espelho d’água ‘enriquecida’ de proteínas e protozoários do Palácio do Planato, antes de servir fatias de bolo de aniversário.

A desorganização do Plano Nacional de Imunizações e a pressão sobre o STF

A compra privada de vacinas elevará os preços das vacinas e irá atrasar a remessa dos imunizantes aos mais indefesos. É solução única dos empresários brasileiros em todo o mundo.

Bolsonaro busca apoio para emparedar o Supremo Tribunal Federal em troca da implementação das chamadas reformas que – na crença quase religiosa de Guedes – levaria o Brasil ao ˜desenvolvimento autossustentável”. O ministro da Economia diz que, agora, junto com o “centrão”, o governo tem um “time” para acelerar a aprovação das vendas do patrimônio e dos recursos nacionais. Nem que o governo tenha que incorporar no orçamento dos ministérios o custo de R$ 12 bi a 30 bi das emendas parlamentares. Nenhuma palavra sobre corrupção foi dita.

Por que acobertam Bolsonaro?

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