Como a milícia, governo age à margem do Estado brasileiro.

A CPI da Covid-19 ilumina a indecente gestão da República dirigida sob a égide de camarilhas tal qual as milícias que ocupam os territórios fluminenses em organizações marginais às instituições.

. “Ele tinha um assessoramento paralelo. Havia sobre a mesa um papel não timbrado de um decreto presidencial para que fosse sugerido naquela reunião mudar a bula da cloroquina na Anvisa para que na bula tivesse a indicação do medicamento para o coronavírus. O presidente da Anvisa disse que não. Jorge Ramos disse que era uma sugestão”, afirmou Mandetta.

O ex-ministro da Saúde citou ainda que testemunhou por diversas vezes a presença de Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro e filho do presidente, em reuniões ministeriais. “Testemunhei várias vezes reunião de ministros em que o filho do presidente que é vereador do Rio de Janeiro estava sentado atrás dele tomando notas. Eles tinham reuniões dentro da Presidência”, disse Mandetta.

O charlatanismo

O miliciano é uma espécie de charlatão. Geralmente,  não passou no concurso de policial, mas se apresenta como tal. Se é servidor público concursado, vende serviços que deveria, por força de lei, oferecer dentro de um rito estabelecido por normas “infra-legais”. Se o prédio recebe gás encanado, interrompe-se os fornecimento do combustível para que a compra botijões da milícia seja compulsória.  Transporte e TV a cabo, internet etc pagam rachadinhas, como os salários dos funcionários em cargos em comissão dos representantes legislativos. 

O charlatanismo, agora, tomou ares palacianos.

Pelas declarações de Paulo Guedes ou Ricardo Salles, por exemplo, pressupõem-se que as decisões centrais do governo sejam  tomadas também por fora da instituições. O desmonte das regras, dos recursos materiais e humanos que protegiam a amazônia da depravação do garimpo, do vilipêndio dos madeireiros e pecuaristas; E a desonestidade intelectual do ministro da Economia, que mal executa as tarefas básicas de  um orçamento público factível, revelam um desdém pelo ordenamento jurídico e institucional.

Quais relações com a extrema-direita mundial foram estabalecidas por Weintraub ou Ernesto pelas costas da chancelaria brasileira? Como o Ministério da Educação organiza, na surdina, a sabotagem das universidades públicas? E a omissão do censo do IBGE?  Sem planos, sem dados.

Não ligam para a infecção

A presente infecção é silente e emudesse os atingidos. Se a covid-19 provocasse erupções cutâneas como a sarna (ou varíola) se poderia estarrecer-se com a falta de sanidade do governo. Mas se a milícia não liga para os mortos porque se importaria com a higiene ou distanciamento. Como nos tempos que antecederam o final da escravidão moderno no mundo, o Brasil, por força cultural de uma deselite amoral, é sempre o último a incentivar e abraçar o que é humano. Não se deve esperar um gesto de empatia dos venais que não têm vergonha de dirigir uma nação com um grupamento paralelo. As instituições não funcionam normalmentee e   assistem a tudo anestesiadas. E agora resta a pergunta: se tombarem o STF quem vai defender a Constituição?

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