Bolsonaro é a cortina de fumaça contra a soberania popular

A CPI da Pandemia tem revelado que a luta dos governistas contra a vacina – e a favor do uso charlatão da cloroquina ou ivermectina – tem dois movimentos e um só alvo: o povo pobre e trabalhador.

Por que a promoção e a defesa da ingestão de comprimidos que são inúteis (e prejudiciais à saúde) no combate ao coronavírus? A resposta é óbvia: para que as pessoas se sintam protegidas e saiam de casa para trabalhar e não prejudiquem a “economia” (entre aspas porque economia no sentido stricto senso é o uso racional dos recursos).

O movimento contra o isolamento social (ou lockdown) tem o mesmo patrocinadores no mundo tudo. E está, por um lado, no esteio da campanha antivacina, adotada pela esóterica Nova Direita mundial e, por outro, associado à primitiva tática miliciana de produzir uma cortina de fumaça na qual Bolsonaro tenta esconder sua mais completa ignorância sobre a ciência.

Negacionistas de estimação e o expurgo da ciência

Muito antes da instalação da CPI, em 18/01, o “rasputin” de estimação dos Bolsonaro, Olavo de Carvalho,  teve uma postagem do Twitter deletada pela rede social. O post tinha conteúdo negacionista sobre a pandemia de COVID-19. Carvalho desdenhava da virulência do “corongavírus”, como escreveu Carvalho. Dois dias antes, um post do ministério da Saúde no Twitter, também, recebeu a marcação de “potencialmente prejudicial” , por estimular a adoção de um “tratamento precoce” contra a covid-19. E, anteriormente, o próprio Jair Bolsonaro teve uma postagem inibida pela rede social ao divulgar um vídeo em que o ex-assessor de imprensa da ditadura Alexandre Garcia aparece como garoto propaganda da cloroquina. Tudo isso aconteceu em janeiro, quando o Brasil tinha 220 mil mortos e Manaus chorava os mortos por falta de oxigênio nos hospitais.

O negacionismo foi observado, também, em outros países. Não se trata apenas da disputa pela prevalecência da narrativa histórica, é, sobretudo, um retorno ao obscurantismo, embasado nos pensamentos esotéricos e ocultistas que alimentam uma casta de milionários que busca sentido moral, por exemplo, nos escritos de Pierre Krebs ou Alain de Benoist, onde a ciência não encontra mais pleno espaço e até o darwinismo, por exemplo, foi deturpado para dar abrigo a ideias de raça superior.

O boicote à vacina e a subestimação da nação brasileira

Todo o tipo de ignorância, passado em revista pelo Senado Federal, tem se moldado a intenção dos depoentes de eximir Jair Bolsonaro da responsabilidade mater do genocídio ora em curso no Brasil. O desprezo pela vontade popular e o sentimento de impunidade deram impulso à inação que produziu o volume de mortos que nos envergonha como nação. A questão ideológica, contudo, não poderia per se explicar a postura do Jair Bolsonaro, uma vez que políticos de direita como João Dória se enveredaram pelo caminho científico e, políticamente, expuseram, como contra-ponto, a crueza de Bolsonaro em relação à vigilância sanitária.

Bolsonaro escolhe a arena da ignorância para enfrentar a pandemia

Bolsonaro é um porco, no sentido, de imundo, ou as cenas bizarras de pão com leite condensado, as mãos lavadas no espelho d’água do Palácio e secadas na calça, (antes de servir bolo a seus apoiadores) ou, ainda, a sopa em saco plástico são um apelo de marketing? No intuito de se mostrar como um homem “sem frescura”, como um “machão” que enfrenta pandemia no grito e com a cara feia? Essa atuação teatral pobre de Bolsonaro tem efeito sobre o povo? Ainda que tenha, a qual preço?

A CPI tem chegado a um número de mortes que poderiam ser evitadas se a infecção não fosse tão generalizada e livre no Brasil. A ausência de vacina e a convocação ao enfrentamento ignóbil ao vírus são os responsáveis. Bolsonaro poderia ter adotado a vacina como arma nesse enfrentamento, mas não o fez por quê? Por dois motivos: ao enfrentar a pandêmia no campo da ciência, Bolsonaro teria que enfrentar o debate numa arena na qual, ele, pessoalmente, e seus assessores não posssuem o conhecimento elementar da biologia, da química, da fisiologica, quiça da infectologia para se legitimarem. Ao mesmo tempo em que adotar a vacina iria contrariar os ideais baseados no esoterismo e criacionismo dos ideólogos do seu governo.

Os banqueiros e privatistas não se incomodam com as infecções

Enquanto Bolsonaro esgrime a inapetência da sua política sanitária, Paulo Guedes e os economistas apinhados no governo estão sedentos pelas privatizações. Eles não condenam a inação de Bolsonaro e se esforçam para avançar numa agenda de desmantelamento do estado no que tange ao financiamento dos direitos dos brasileiros, especialmente, saúde e educação. Nem mesmo a morte por Covid-19 do privatista Carlos Langoni, um dos conselheiros de Guedes, abala o apetite dos privatistas.

Bolsonaro e a infecção dos brasileiros por coronavirus são a cortina de fumaça dos donos dos bancos e dos ricos que operam o fim da soberania economica do país. Por trás de Bolsonaro existe projeto de transformar o Brasil no “melhor” país periférico do mundo. Um estado submisso aos interesses do Capital e sem espaço para o Trabalho sofisticado e sem perspectiva de crescimento estratégico, mas cheio de oportunidades para investidores em energia, água, minérios, que, obviamente, irão drenar os lucros e as tarifas para seus acionistas, em detrimento da nação, cujo trabalho requisitado, majoritaritariamente, será de simples operadores de máquinas.

CPI e o impeachment de Bolsonaro

É certo que as conclusões da CPI da Pandemia irão apontar os crimes de responsabilidade de Bolsonaro, mas é cedo para afirmar que o relatório se materialize numa votação majoritária pelo impeachment do presidente, a menos que uma massa de brasileiros ocupe as ruas e converta os parlamentares do centrão em oposição.

Os operadores da política econômica e sua agenda de desmantalemento da Constituição deveriam ser punidos pela cumplicidade ao genocídio, pelas mortes e pela petulância de atentar contra a dignidade dos brasileiros, usando o método imundo e infeccioso do Bolsonaro.

Ao afiançarem Bolsonaro, os ricos subestimam os brasileiros. Mas a Soberania Popular está longe de ser a multidão que se ilude com pão com leite condensado. É pagar para ver.

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