O medo do banditismo é o carvão que movimenta a bolsonaria, títere da Nova Direita Mundial

O bolsonarismo é um movimento político calcado em crenças de que o pobre só presta como trabalhador dócil e mistura, propositalmente, revolta social com ação de criminosos, mafiosos e traficantes no intuito de desacreditar, moralmente, a participação organizada da sociedade na política. Ao mesmo tempo, em que os próprios agentes bolsonaristas protagonizam ações criminosas contra o Estado Democrático e de Direito, à margem das instituições, fomentando o domínio privado de territórios e usurpando funções privativas de segurança pública, em nome do combate ao crime.

A Falência da Guerra Contra as Drogas

Uma comunidade de pescadores nos Lençóis Maranhenses se viu durante meses aterrorizada por um grupo criminoso. Dois homens e uma mulher que se instalaram na região para vender cocaína a turistas endinheirados passaram a financiar seus negócios com assaltos que faziam a residências, encapuzados e armados.

Moradores, donos de pousadas e comerciantes se uniram em queixas na polícia, que soube investigar e descobrir onde o bando estava. Os agentes cercaram o local de madrugada “já com sacos de defunto nas mãos’, como relataram os pescadores, o que resultou em dois mortos e uma mulher presa.

O episódio ilustra alguns aspectos recorrentes no Brasil. O principal é que, como as demais nações da América Latina, o país está a mercê da falida Guerra Contra as Drogas, uma fantástica máquina de enxugar gelo e uma viciada roda da fortuna para corruptos, capaz de dar valor de ouro a entorpecentes, que de tão valiosos, levam homens e mulheres dispostos a correr o risco de desafiar a Justiça a se associarem a grandes produtores e traficantes, – quando, eles próprios, não decidem empreender nesse ramo envolto de crimes e disputas. Morre mais gente no comércio das drogas do que no seu uso. São os consumidores ricos que financiam o tráfico, que na operação traz  subprodutos, como o crack, droga barata que definha o juízo de usuários pobres. É uma epidemia que se busca controlar com armas, coturnos e prisões, ao invés de clínicas.

Outro aspecto é “legalização” da letalidade policial. Não houve vontade moral para que os criminosos fossem apenas presos.  Moralmente, os brasileiros aceitam a morte de criminosos, visando interromper a tensão local, ou, na maioria das vezes, por vingança, como sentido de justiçamento, o que é próprio de civilizações primitivas.

Estado disciplinador

A ausência de uma consciência de cidadania e de pertencimento à uma nação original assombra a formação da civilização brasileira. Já é sabido que foi apenas na história recente que o Estado brasileiro se ocupou de qualificar os direitos dos cidadãos. Ao longo dos Séculos, os governos afetos aos senhores da “Casa Grande” assumiram as funções de disciplinadores de comportamento e de protetores do patrimônio, especialmente, das grandes fortunas. Aos pobres foi destinado o policiamento não protetivo, mas sim, repressor. De modo que os cidadãos das comunidades não contam com Segurança do Estado da mesma qualidade ofertada aos ricos – e se protegem como podem do banditismo. Ao mesmo tempo em que a vulnerabilidade pode levar seus filhos a ingressarem como “soldados” nas máquinas mafiosas dos poderosos.

A classe média é a correia de transmissão do pavor

Os pobres são os mais vulneráveis, mas têm pouco a perder.  Os ricos e super ricos estão protegidos por agentes privados, já a classe média ao batalhar a manutenção do seu relativo patrimônio vê a pobreza como sua principal ameaça. Na distância entre os ricos e os pobres, a classe média busca a proteção dos ricos, evitando relações públicas com os pobres com quem concorrem pelos serviços públicos e privados, principalmente, quando há melhoria na economia e diminuição da desigualdade.

O medo dos pobres

O medo é vento soprado pelos meios de comunicação tradicionais que com programas policiais que como os Datenas da vida deixam todos de prontidão esperando por um assalto que nunca vem, mas que parece ser iminente. De modo que a Segurança Privada, na ausência do Estado, é contratada e com ela é reforçadao um grupo paramilitar, cujas prerrogativas exigem  baixo perfil intelectual e tecnológico e força bruta que se retroalimenta da insegurança. Quanto mais insegurança, mais negócios. Em geral são empresas de militares policiais ou de ex-policiais militares.  À medida em que aumenta a desigualdade, cresce o número de condomínios protegidos por empresas particulares. Bolsões de patrimônio médio que, eventualmente, são alvo de furtos e assaltos. A repercussão desses eventos, na imprensa, toma proporções assustadoras que demandam por ações “tranquilizadoras”. É desse contexto que nasce a força do bolsonarismo, com a defesa do justiçamento pelas próprias mãos e com o emprego de armas à margem da ação do Estado e agravado pela interveniência de agentes públicos que usam de suas prerrogativas para “prestar” serviços particulares.

Consórcio do ‘Veredas da Barra’

Ao confrontar essa engrenagem,   Marielle Franco e Anderson Gomes foram emboscados e assassinados.  Não apenas as mortes cruéis chocam, mas, também, o apoio que receberam dos bolsonaristas que tentam desmoralizar a liderança póstuma da Vereadora.

Neste cenário, os pobres são, paradoxalmente, fornecedores de mão de obra barata para as empresas de segurança, e, ao mesmo tempo, ameaça aparente. Toda sorte de preconceito e rejeição se torna saliente. É um campo fértil para o surgimento  de “xerifes”, donos de territórios, dispostos a fazer a “justiça” com as próprias mãos e faturar com isso, econômica e politicamente.

A milícia do Rio das Pedras, Jacarepaguá e Barra da Tijuca no Rio de Janeiro ganhou expressão nacional com a família Bolsonaro.  É curioso que figuras em cargos públicos apresentem apoio a um consórcio de criminosos que agem à margem da lei, vendendo “legalidade”.

O banditismo é a força e redenção do bolsonarismo

Quanto mais bandidos e assaltos, quanto mais notícias de crimes, mais acuado fica o povo e a classe média que paga e reforça a segurança privada. O consórcio entre milicianos, ex- policiais, policiais, agentes do Estado, da justiça, empresários e do ministério Público substituiu, após a demonização da política, os grupos tradicionais apinhados no poder. A suposta renovação na política, apenas representa a ascenção do grupo operacional da Segurança aos postos de comando do Estado.

O Estado como inimigo número 1

Na conjuntura atual do Brasil, um inimigo em comum une milicianos, corruptos,  corruptores, classe média, empresários, ricos e super ricos: o Estado Democrático e de Direitos.

Milicianos e a classe média vêem nos direitos assegurados pela Constituição Federal freios que travam a sanha de vingança contra criminosos, se queixam da Justiça como instrumento penal;  empresários aproveitam para retirar Direitos assegurados na Constituição Federal que tornam o trabalho civilizado, mas que julgam oneroso aos lucros; os Super ricos vêem todo o Estado Liberal capitalista como um estorvo. Por ser o guardião da Constituição Federal, o Supremo Tribunal Federal é alvo do bolsonarismo. A Nova direita Mundial é contra os direitos assegurados pelo Estado liberal capitalista por um motivo muito simples. As duas centenas de milhares de bilionários que têm metade da riqueza do mundo  não precisam mais da proteção do Estado. Eles podem voar para o Espaço com recursos próprios.

O mais triste é a classe média achar que é super rica e dar apoio político a esse nazi fascismo que insurge no Globo.

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