A malandragem sempre come o malandro.

A astúcia metida a inteligência de Paulo Guedes são como seios em praias de topless, em Barcelona: está nua, só não vê quem não quer.

As malandragens e truques de Paulo Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse no Airport National Meeting 2021, dia 02 de dezembro, que a “conversa de que o Brasil não vai crescer é conversa de maluco”. E acrescentou que o país vai crescer “um pouco menos” por causa da necessidade de combater a inflação.

Ao falar das previsões que indicam que “entramos em recessão técnica”, ele trouxe à baila a variação positiva do mercado de ações, também naquele dia (alta de 3,66%). “Se alguém estivesse levando a sério que o PIB vai cair, Bolsa não estava subindo”, afirmou.

Não há dado objetivo que determine a variação da Bolsa. A menos que seja o pânico de uma quebra sistêmica do mercado financeiro, a variação das bolsas segue, no geral (com ressalvas), a mesma aleatoriedade estatística da disputa de cara ou coroa com uma moeda. Esse é um dos pressupostos dos operadores financeiros.

Ao comparar variação de um dia da Bolsa com projeção anual do PIB, Guedes passa recibo de desonesto intelectual ou de burro. Ou da mistura dos dois. Tipo o “experto”, metido a malandro.

É evidente que Paulo Guedes não usou esse argumento para o mercado. Esse truque não funciona para operadores financeiros. Então, para quem foi?

Para iludir aqueles que ainda acreditam no governo.

Guedes saca o dedo contra os “farialimers”

Paulo Guedes, agora, diz reconhecer que 2022 será de recessão. A confissão foi para a plateia do Encontro Anual da Indústria Química, no último dia 03.

“A Faria Lima e os banqueiros estão prevendo um crescimento menor. É natural. No ângulo de visão de financistas, é claro que vai haver uma desaceleração forte, porque os juros estão subindo. A inflação subiu, de novo estamos fazendo a coisa certa. O importante não é a previsão. O importante é fazer a coisa certa. O resultado será o melhor possível. Quando previram que o Brasil ia cair 10 [%], eu apenas descredenciei a previsão de 10. Eu não disse quanto ia cair. Aí surgiu uma guerra de fatos. Eu acreditava em recuperação em V. Não disse em quanto tempo e aconteceu até mais rápido do que eu esperava. Em compensação, veio acompanhada do componente inflacionário”, afirmou Guedes.

Guedes não teve o despeito de negar o óbvio: que a alta da taxa selic vai ser um convite à descapitalização; àqueles que querem viver balançando na renda fixa, tomando água de coco, e falando mal do Brasil. É melhor uma renda livre de risco garantida pelo governo do que tomar conta de franquias em shopping center. Ou seja, novos negócios irão para o vinagre. E o desemprego seguirá em frente e para cima.

O importante é fazer a coisa certa.

Certamente não há coisa certa sendo feita nesse governo. Sabemos que parte da pressão inflacionária é decorrente dos preços contaminados pela taxa de câmbio. E que são justamente os gastos com energia e alimentos (transporte, eletricidade, aluguel, commodities e, logo, tarifa de água). O Brasil é um país ótimo para os brasileiros dolarizados em offshores como Paulo Guedes e Campos Neto, por exemplo. E uma fábrica de mendigos e pobres para quem recebe em Reais.

Durante a inflação os anos 80, a proteção da corrosão da moeda vinha dos títulos de remuneração diária (overnight) que cobria a perda dos bancos, que por sua vez cobriam a perda dos melhores clientes, com o endividamento da dívida interna. Agora, o movimento de buscar proteção no dólar, antecipa a desvalorização do Real. O Banco Central nada ou muito pouco tem feito em defesa da unidade monetária. Há uma corrida pela desapego do Real até das autoridades monetárias. Então, é evidente que a principal ameaça à economia, não é a inflação, é o derretimento das reservas nacionais, que serão leiloadas para impedir o voo dos capitais.

E a equipe econômica está longe de fazer a coisa certa. Pois, há integrantes que gozam, evidentemente, da valorização do dólar.

A malandragem em números

“É inevitável. Estamos retomando o crescimento. Estamos saindo de uma fase de recuperação cíclica, baseada em transferências de renda. E estamos indo para o crescimento sustentado, baseado na formação bruta de capital fixo. Devemos atingir 20% do PIB em 2022”, disse o ministro.

Aqui tem uma malandragem do tipo meio copo vazio/meio copo cheio. Pois a alta dos números de investimentos em bens de capital (máquinas) teve teve impacto significativo pontual por causa da “internalização” de plataformas de petróleo que já operavam no Brasil, mas eram registradas no exterior. Além disso, a previsão de “atingir 20% do PIB”, no ano que vem, é ardilosa, pois a participação da Formação Bruta de Capital Fixo no PIB, também, poderá aumentar se, simplesmente, o denominador, o PIB, diminuir.

A malandragem é um tanque de cheio de tubarões. Sempre tem um predador maior.

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