Decisões Desaforadas e Marginais

O governo age à margem das instituições, dos dados, das pesquisas, e das estatísticas. As decisões governamentais são um bolo de excrescências que entope a celeridade do Estado brasileiro e tira a legitimidade, por direito, dos órgãos competentes com poder decisório definido na Constituição, e nas leis infraconstitucionais. Sempre obrigando que uma emergência de socorro jurídico seja acionada nas cortes superiores para a limpeza daquilo que se tenta empalar à nação.O motivo – minimizado e ignorado pela imprensa profissional – é sempre o mesmo: o governo procura por ânsia própria fazer valer o vômito ideológico em duas frentes. A obscurantista que busca impor aos hábitos culturais brasileiros uma escuridão conservadora, por meio de uma pauta metafísica e esotérica e a predadora econômica, que por meio da agenda ultraliberal (quase anárquica) tem como meta a desconstrução do proto Estado de Bem-Estar Social do Brasil. A imprensa consegue dissociar a pauta de costumes da agenda neoliberal, sendo condescendente com a segunda, já que as redações já não pensam em Economia Política por conta própria e “compram” as limitadas narrativas das agência internacionais que o Brasil deve se submeter aos interesses dos investidores estrangeiros como o único caminho para acumular riqueza – mesmo que essa escolha acabe com a indústria, com a tecnologia e faça da nação uma economia extrativista e exportadora de commodities.

Ações marginais
Para imprimir esse projeto, o governo recorre a recursos fora da legislação e da ética pública, como o esquema ordenado por Ciro Nogueira, Flávia Arruda, Arthur Lira e as emendas secretas para angariar os votos do Congresso Nacional. Conforme consta no relatório da CPI da Pandemia, o gabinete paralelo da Presidência da República atuou para ignorar a vacinação e acelerar a suposta imunização de manada, distribuindo pílulas ineficazes de cloroquina para que as pessoas voltassem ao trabalho com a ilusão de que estariam protegidas. Isso foi feito como uma ação marginal às orientações sanitárias. A destruição dos Institutos (INPE, IBGE, INEP etc) que fornecem dados e pesquisa para orientar a políticas públicas de controle de queimadas, medição do desemprego, qualificação das instituições de ensino e de pesquisa. Sem dados, não há como interferir na realidade. A inação em todas as áreas abandonadas (Saúde, Educação, Meio Ambiente, Industrialização) não é fortuita: É uma decisão! E está em linha com a destruição do Estado.

Por isso a deselite não fica chocada com a notícia que o secretário de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, irá assumir um posto em Washington, capital dos Estados Unidos, alegadamente para “melhorar a posição do país em tratativas comerciais com a maior economia do mundo”, sendo que o Brasil tem representação diplomática secular naquele país. O posto, considerado estratégico pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, deverá se consolidar como um canal de vassalagem para que de lá, por fora da chancelaria, sejam planejadas as privatizações das jóias do patrimônio brasileiro, a começar pela Petrobras.
Outro expediente marginal às instituições foi usado pelo ainda médico e ministro da Saúde Marcelo Queiroga que criou uma consulta pública, também, excrescente para decidir se crianças deveam ser imunizadas contra a Covid. Uma tentativa de intimidar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária para fortalecer a agenda obscurantista anti-vacinas.

STF volta à alça de mira
Não é por acaso que o STF – guardião da Constituição e do Estado Democrático e de Direito – voltou a ser atacado pelo presidente Jair Bolsonaro antes de sair de férias em dezembro. Nesse ponto, por defender a aplicação da Lei, o STF também é alvo dos lavajatistas, como o MBL, que não se conformam o revés do julgamento do cidadão e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por causa do flagrante atropelo dos direitos cometido pelo ex-juiz Sérgio Moro e atual pré-candidato à presidência da República – que confessou em entrevista à uma rádio que havia, sim, o interesse em perseguir Lula e o Partido dos Trabalhadores.
A orquestração contra o STF terá, nesse ano, apoio das agências de informações americanas. As Forças Armadas brasileiras estão cada vez mais alinhadas com as Forças Armadas norte-americanas, chegando a posar em cartazes em posição subserviente. O Brasil está sob ataque e o governo busca trolar as leis para facilitar a volúpia dos investidores de Miami.

Semiótica do cartaz do Exército Brasileiro sobre operação militar conjunta com os militares norte-americanos revela uma águia (símbolo dos EUA) liderando a esquadrilha e o soldado americano conduzindo pelas costas um militar brasileiro.

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