Barbacena

É um absurdo que nesta altura da consciência, uma mineradora polua água potável

Assista a “MAIOR ESPECIALISTA EM ENTORPECENTES DO BRASIL É INTIMADO A DEPOR POR APOLOGIA AO CRIME” no YouTube

Um juiz mandou intimar a maior sumidade do Brasil em psicotrópicos, Elisaldo Carlini, por apologia a drogas. Mal comparando seria como acusar o sexóloga Laura Muller, do Altas Horas (Serginho Groisman) de atentado à moral ou incentivo à promiscuidade. É preciso que a sociedade brasileira dê um limite ao fundamentalismo que tais de decisões ensejam. Depois da judicialização da política, vem aí a judicialização dos hábitos e costumes e a criminalização da ciência.

A vida ou o celular

 

Então de repente você está ali, assustado. O sangue se esvai pelo ventre, dói. Mas o medo é maior que a dor.  Sabe que se não estancar logo a hemorragia, vai desmaiar e morrer. Quanto tempo eu tenho?

Fico tentando entrar na cabeça do amigo Sávio para saber o que se passou, quando tocou o interfone de um apartamento qualquer pedindo por socorro. Quanto tempo tinha?  Se a morte é a medida da vida, o que dizer da perda da vida por um celular? É difícil entender o fetiche que os objetos provocam.  Houve uma época que os tênis eram o objeto de vida ou de morte dos delinquentes predadores dos centros urbanos – ou da “selva”, como diria Marcelo Guedes. Poderíamos, eu e Sávio, conversar durante horas sobre os jovens que davam aqueles objetos um valor muito além da simples finalidade de calçar os pés.  Mas quanto tempo eu tenho?

Hoje, os aparelhos de celular são os símbolos que querem ostentar, seja pelo mercado paralelo de compra e venda de objetos roubados,  pelo furto, roubo ou latrocínio.  O roubo seguido de morte é doentio.  Ou são psicopatas ou algo deu errado na ação dos predadores da “selva”.  Franzino, Sávio não reagiria, ainda mais contra dois. Não perderia seu tempo. Pode ter tentado converter os assaltantes com seu sacerdócio. Sim, porque Sávio acreditava em seu ‘poder esotérico’ de confrontar as pessoas com a realidade que presumia ser a verdade ou o destino – ainda que sob a ameaça de uma lâmina. Certamente, foi tudo muito rápido. O socorro nesses instantes dura uma eternidade. Quanto tempo eu tenho?

Sim, porque Sávio, inteligente que era, sabia que o tempo faz curva, enquanto se perde o que é, realmente, importante.  Os socorristas não foram os anjos que se esperava. O tempo se esvai. Haverá como repor as pontas soltas pelo caminho? De promover os desfechos?  Mas quanto tempo temos?

Vá lá, amigo, atrás da sua eternidade.

Em homenagem a Sávio de Tarso, jornalista.

O Jornalista e a Verdade

via O Jornalista e a Verdade

O Jornalista e a Verdade

47935713-fantasy-portrait-on-a-theme-of-dream-catcher-talisman-of-north--Stock-PhotoAconteceu um dia desses. O jornalista a caminho do trabalho encontrou a Verdade e lhe perguntou:

– Quem é você?

Ela, tímida, respondeu:

– Você não me reconhece?

Ele não sabia ao certo, estava sempre correndo para o trabalho. Mas tinha algo nela que o fascinara.

– Você é linda, muito atraente.

Ela ruboresceu. Não conseguia disfarçar.

– Obrigada.

– Se não tivesse que ir para meu trabalho, ficaria com você.

– O que você faz?

– Você não me conhece? Perguntou organizando o topete com a mão direita e respondendo em seguida, sem esperar a resposta: eu apresento o Jornal da TV.

– E o que faz quem apresenta o Jornal da TV?

– Você deve estar de brincadeira, disse ele tentando ser tolerante e afável. – Eu anuncio os fatos mais importantes. Todo mundo me conhece.

– Desculpe, eu não te conheço, disse a Verdade.

– Você não assiste ao Jornal da TV?

– Não.

-Deveria, disse o jornalista, ajeitando o cabelo.

– Por que?

– É uma boa maneira de conhecer o que está acontecendo no mundo, respondeu olhando para o horário no celular. – Desculpe, eu gostaria muito de ficar com você, mas eu tenho que ir. Tem uma porção de gente me esperando e meu chefe, o dono da TV, não gosta quando atraso.

– E por que te esperam?

– Ora, o que seria do jornal sem mim? Perguntou pra si mesmo. Sem minha presença, os meus colegas não conseguiriam distinguir os fatos das mentiras. Sem meu texto, não saberiam descrever a verdade, mesmo que estivesse diante deles. É preciso ter treino, faro, feeling! Desculpe, mas, realmente, tenho que ir.

– Claro, se isso lhe é importante, vá!

– Puxa vida, não fala assim. Você é tão atraente que até poderia inventar uma desculpa para ficar com você hoje, falou enquanto pensava na mentira que encaminharia ao WhatsApp do chefe.

– Não apele à mentira, disse ela.

– Não tem problema. Ninguém vai morrer por isso. Ele baixou os olhos para o celular e digitou: Chefe, estou com um problema, não vou conseguir chegar aí hoje. Quando levantou a cabeça a Verdade não estava mais lá. Aturdido, escutou a resposta do seu chefe chegando ao aparelho e foi conferir a mensagem: Não precisa vir mais, nem hoje, nem nunca mais.

Rapidamente, ele entrou no carro e digitou: Chefe já resolvi aqui. Esquece. Estou chegando. Pelo retrovisor ele vira, novamente, a Verdade que se distanciava dele, cada vez mais enquanto seguia a caminho do chefe. Chegou uma nova mensagem ao celular. Quando tirou os olhos da estrada, um caminhão cruzou a sua frente. Foi o factual do dia.

De Davi Molinari

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